Uma Experiência Imersiva no Teatro Gregório de Mattos
A dança se transforma em um ecossistema vivo e ancestral na instalação performática FLORESTA, que apresenta uma curta temporada no Teatro Gregório de Mattos, em Salvador. Com seis apresentações agendadas para os dias 14, 15, 21 e 22 de março, o público poderá apreciar essa experiência única aos sábados, às 16h (com audiodescrição) e às 19h, e aos domingos, às 18h. É importante destacar que todas as sessões contarão com tradução em libras, garantindo acessibilidade. Os ingressos estão disponíveis a preços acessíveis, com entrada a R$30 (inteira) e R$15 (meia).
A instalação é resultado da residência artística [RE]FLORESTA, parte de um projeto homônimo idealizado por Thiago Cohen, que é dançarino, arte-educador e pesquisador. A proposta gira em torno do conceito de “devir-árvore”, onde o corpo humano é explorado como uma extensão da terra e da natureza, entrelaçando galhos, raízes e ventos de maneira poética.
Inspirado por Pensadores da Natureza
Com base em reflexões de autores como Ailton Krenak e Leda Maria Martins, o projeto FLORESTA busca evocar a circularidade do tempo, a espiral como tecnologia ancestral e a coletividade como uma poderosa força criativa. “Venho aprendendo a ser árvore e a escutar o tempo das pedras, das folhas e dos galhos. A dança que proponho nasce dessa escuta, dessa compreensão de que somos natureza. Ser floresta é ser coletivo”, compartilha Thiago Cohen, oferecendo um vislumbre de sua profunda conexão com o tema.
A Arte como Instalação Viva
FLORESTA não se limita a ser uma simples performance; ela se apresenta como uma dança-instalação vibrante. Antes mesmo de a apresentação começar, o ambiente já estará repleto de coleções de folhas verdes e secas, galhos pendurados, e materiais orgânicos que foram ressignificados. Objetos que antes seriam descartados após as podas urbanas ganham vida nova, criando um espaço sensorial rico e envolvente.
A performance se desdobra em diferentes estações, onde a respiração, a ativação das folhas e os deslocamentos circulares se entrelaçam com os modos de “devir-árvore”. Em uma dessas estações, os intérpretes equilibram galhos em suas cabeças enquanto cruzam lentamente o espaço, gerando giros, espirais e curvaturas. Em outra, folhas de palmeira são espalhadas, criando órbitas que serpenteiam entre os corpos dos artistas. A iluminação cuidadosamente planejada intensifica as texturas orgânicas, reforçando a atmosfera ritualística contemporânea.
Um Chamado à Reflexão Ecológica
Conforme os desafios climáticos se tornam cada vez mais urgentes, FLORESTA se posiciona como um campo de denúncia e esperança. A instalação propõe uma reimaginação de imaginários e incentiva práticas coreo-poéticas ecológicas, permitindo que a dança seja vista como uma prática de escuta e de reconexão com a natureza.
Com um histórico de apresentações em cidades como São Paulo, Jacobina, Senhor do Bonfim, Uberlândia, São Mateus e até mesmo em Asunción, no Paraguai, FLORESTA reafirma a pesquisa de Thiago Cohen na interseção entre dança e poesia, sob a lente da perspectiva afropindorâmica. Mais do que uma simples performance, FLORESTA é um convite para uma experiência compartilhada, onde público e artistas se unirão para explorar as raízes, galhos e ventos que nos conectam.
“Diálogos da Floresta” na UFBA
Como parte das atividades formativas do projeto, no dia 10 de março, será realizado o encontro “Diálogos da Floresta” na Escola de Dança da UFBA, com duas edições programadas para às 10h e às 18h30, ambas com interpretação em libras. O objetivo é aprofundar as reflexões trazidas pelo espetáculo, discutindo as conexões entre dança, ancestralidade, meio ambiente e práticas pedagógicas contemporâneas. Este evento integra a semana de acolhimento semestral da UFBA e conta com a colaboração do Mestrado Profissional em Dança (PRODAN).
No primeiro painel, às 10h, estarão presentes Edu O., artista DEF e professor da Escola de Dança da UFBA, famoso por seu trabalho como coreógrafo e dançarino, e Marilza Oliveira, professora e pesquisadora das danças afro-brasileiras. Já na segunda mesa, marcada para às 18h30, Zulmí Nascimento, artista e ativista ambiental, e Daniela Botero Marulanda, antropóloga e professora, compartilharão suas pesquisas sobre a relação entre corpo e natureza, trazendo suas experiências e conhecimento sobre as danças brasileiras e tradições culturais.
Este projeto foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e conta com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura do Estado, e com o estímulo do Ministério da Cultura – Governo Federal.


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