Reflexões sobre o Futuro do Futebol Brasileiro
A relação entre a torcida e a seleção brasileira passou por transformações significativas, mas, segundo Gilberto Silva, campeão mundial em 2002, essa ligação não se rompeu. Com o aumento da concorrência proveniente das ligas europeias e a crescente popularidade do futebol internacional, o entusiasmo pela seleção agora compete por espaço. Gilberto, ao refletir sobre a identidade do futebol nacional, enfatiza que a maneira como o Brasil valoriza seus profissionais é uma parte crucial deste debate.
Em suas análises, ele critica a cultura imediatista que predomina na gestão dos treinadores no país. Segundo ele, “o treinador aqui não tem tempo de pensar a médio prazo. Se não ganha três, quatro partidas, já está com a corda no pescoço para ser mandado embora. Isso atrapalha o desenvolvimento do clube.” Ele destaca que, muitas vezes, questões econômicas são as que mais impactam essa dinâmica. Quando um treinador é demitido, todo o processo de desenvolvimento da equipe é reiniciado.
Gilberto também se mostra otimista quanto à qualidade do atual técnico da seleção, Carlo Ancelotti, e defende a valorização de profissionais, independentemente de sua nacionalidade. “Temos um treinador com uma qualidade grande, a carreira dele fala por si só. Tivemos, em outras épocas, treinadores brasileiros e agora estamos em um momento diferente. É fundamental valorizar ter um profissional como ele.”
Relembrando suas próprias raízes, Gilberto destaca a importância da várzea, onde muitos jogadores começam sua trajetória no futebol. “A várzea é onde tudo começa. Uma grande parte dos jogadores profissionais, como eu, veio do futebol amador. É a essência do futebol, que retrata a realidade de onde ele nasce. Muita coisa começa dali, da comunidade.”
O ex-atleta adverte que a perda de campos de futebol nas periferias do Brasil impacta diretamente a formação esportiva e social dos jovens. “O futebol na periferia foi perdendo espaço porque os campos foram acabando. É necessário um esforço coletivo para entender a importância do esporte na sociedade, que deve ser visto não apenas como entretenimento, mas também como uma forma de promover saúde e formação de caráter.”
Na visão de Gilberto, o futebol transcende resultados e indústria. “É uma plataforma de ensino. Você aprende a conviver socialmente, a superar desafios diários. Espero que os pais incentivem seus filhos a praticar esportes, para que tenhamos crianças e jovens menos ansiosos.”
Entre a expectativa da Copa do Mundo e a simplicidade dos campos de terra batida, Gilberto Silva vê uma linha que conecta diferentes gerações: o pertencimento. Para ele, essa ligação ainda é forte e vital para o futuro do esporte no Brasil.
A seleção brasileira dará início à sua jornada no Mundial de 2026 no dia 13 de junho, enfrentando o Marrocos, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Este compromisso marcará o primeiro passo da equipe na busca pelo hexacampeonato.


