Adaptação de uma Obra Clássica
O espetáculo “Gota d’Água” realiza sua temporada em Salvador e nas cidades de Jacobina e Porto Seguro, na Bahia. Essa adaptação da Cia Baiana de Teatro Brasileiro, inspirada na obra homônima de Chico Buarque e Paulo Pontes, será apresentada uma única vez em Salvador no dia 17 de abril, às 20h, no Cineteatro 2 de Julho, como parte da programação do Festival das Artes. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla, com preços acessíveis de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).
No interior da Bahia, o espetáculo terá suas apresentações nos dias 24 e 25 de abril, às 19h, no Teatro Sesc Jacobina, e nos dias 1º e 2 de maio, também às 19h, no Teatro Sesc Porto Seguro. Para essas sessões, os ingressos podem ser adquiridos online, com preços de R$ 10 (inteira), R$ 5 (meia-entrada) e R$ 8 para credenciados do Sesc. Essa produção é realizada com o apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Edital Circula Cena, do qual o espetáculo foi selecionado.
Uma História de Conflitos e Desigualdade
No centro da narrativa, encontramos Joana, interpretada por Evana Jeyssan. Joana é uma mulher preta, oriunda da periferia, que enfrenta o abandono, a precariedade e a violência simbólica, especialmente após a traição de Jasão, interpretado por Augusto Nascimento, que deixa sua história para perseguir uma ilusão de ascensão social. Essa trama, marcada por um conflito íntimo e devastador, reflete questões que permanecem urgentes no Brasil contemporâneo, como desigualdade social, dinâmicas de poder, afeto, desejo, mobilidade de classe e o lugar da mulher negra em contextos frequentemente excluídos e apagados.
Uma Estética que Dialoga com a Realidade
A proposta estética do espetáculo se inspira no universo simbólico e material dos marisqueiros do subúrbio soteropolitano. Elementos como areia, lama, baldes e redes de pesca compõem o cenário, criando um ambiente que é ao mesmo tempo cru, ritualístico e expressivo. Neste espaço, o drama é explorado através de uma luta visceral, que envolve corpo e território. Ao ambientar a obra em Plataforma, a montagem reafirma a força da dramaturgia brasileira, ao se entrelaçar com realidades concretas e populares, além de oferecer uma leitura racializada da cena.


