O Papel do Agronegócio na Economia Durante a Páscoa
A Páscoa se revela um período significativo para a economia brasileira, mesmo que muitos não notem isso. Ao adquirirmos chocolates, peixes e outros alimentos característicos dessa festividade, estamos, na verdade, consumindo produtos que têm suas origens no campo.
O agronegócio é responsável pela oferta das matérias-primas que chegam à nossa mesa durante essa celebração. Essa conexão entre a produção rural e as festividades demonstra como a agricultura é parte integrante dos momentos marcantes do nosso calendário.
A Relação entre a Páscoa e o Agronegócio
Durante a Páscoa, um dos períodos do ano em que mais consumimos itens provenientes do campo, diversos setores agrícolas se unem para suprir a demanda do mercado. O cacau, por exemplo, é o componente central na produção de chocolates, enquanto o leite é essencial para criar chocolates cremosos e outras delícias.
O açúcar, proveniente da cana-de-açúcar, adoça tanto o chocolate quanto outras guloseimas consumidas nessa época. Essa dependência do agronegócio evidencia como uma festividade pode ativar diferentes tipos de produção rural simultaneamente. Os ovos, utilizados tanto na cozinha caseira quanto na indústria, conectam a criação de galinhas às tradições pascais.
Ademais, até as embalagens dos produtos podem ser feitas com materiais oriundos de plantas, ampliando ainda mais a influência do campo nas celebrações.
Durante a Quaresma e a Semana Santa, muitas famílias também aumentam o consumo de peixes, tornando esse um dos períodos de maior venda para a piscicultura brasileira.
Produtos do Agronegócio na Páscoa
Antes mesmo de o chocolate ser colocado nas prateleiras, o agronegócio entra em ação. Para esse setor, a Páscoa representa uma operação logística precisa, transformando o esforço dos produtores no banquete das famílias brasileiras. Duas cadeias produtivas são especialmente impactadas neste período: cacau e peixes.
Cacau
Ao observar o preço elevado dos ovos de Páscoa, muitos não conhecem as dificuldades que as fazendas de cacau enfrentam. Para a Páscoa de 2026, espera-se que os preços dos ovos de chocolate sofram reajustes de até 26% devido a uma crise global de cacau. No entanto, a produção brasileira, que se manteve em equilíbrio, traz esperança ao setor.
Com a quebra de safra em outros países, as atenções se voltaram para a produção nacional, que inicia 2026 com sinais positivos, especialmente na Bahia, que é o principal polo produtor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta um crescimento de 5,1% no volume nacional, passando de 288 mil toneladas na safra 2024/25 para 302 mil toneladas, impulsionado pela produção da Bahia.
Os agricultores da Bahia e do Pará vão além de simplesmente entregar sacas; eles estão aprimorando o sabor do cacau. Ao investir na fermentação e no manejo cuidadoso sob a sombra da vegetação nativa, esses produtores conseguem aumentar seus lucros. A fermentação das amêndoas resulta em aromas complexos, elevando o cacau a padrões excepcionais. Amêndoas de cacau fermentadas e secas em estufas solares podem alcançar preços até três vezes maiores no mercado gourmet, como é o caso do cacau fino orgânico.
Peixes
Quem visita as peixarias durante a Semana Santa não imagina as mudanças que o setor aquícola vivencia por trás dos tanques e viveiros. Segundo a Associação Brasileira da Aquicultura (Peixe BR), o consumo de peixes deve atingir 350 mil toneladas na Páscoa de 2026, com uma expectativa de crescimento de 8%. Vendas nas peixarias podem subir até 40% nesse período.
A tradição de consumir peixe na Quaresma remonta à prática católica de evitar carnes vermelhas de animais “de sangue quente” nas sextas-feiras, permitindo o consumo de peixes — “de sangue frio”. Para a Peixe BR, a tilápia se destaca como o peixe mais consumido na Quaresma, representando entre 60% e 65% da produção nacional de piscicultura. Sua popularidade se deve ao seu preço acessível, à ausência de espinhas nos filés e ao sabor neutro, dominando vendas em supermercados e peixarias durante o período festivo.


