Consequências da Importação de Cacau
O deputado estadual Luciano Araujo, que preside o Solidariedade Bahia e é membro da Comissão de Agricultura e Política Rural da Assembleia Legislativa, externou sua crescente preocupação com a acentuada queda do preço do cacau baiano. Essa situação é atribuída à chegada de um navio no porto de Ilhéus, que trouxe cerca de 200 mil sacas de cacau importado da África.
Segundo Araujo, a chegada em massa desse cacau estrangeiro ameaça severamente a cadeia produtiva local. “O cacau baiano possui reconhecimento internacional pela sua qualidade excepcional. É inadmissível que a nossa produção, resultado do esforço de milhares de famílias, sofra desvalorização por conta da concorrência desleal de um produto importado de qualidade inferior”, destacou o deputado.
Impactos para Produtores Locais
O parlamentar enfatizou os efeitos negativos que a importação traz para os agricultores locais. “Essa entrada de cacau no mercado não apenas força os preços para baixo, mas também causa desemprego e inviabiliza a atuação de pequenos e médios produtores, especialmente em uma das regiões mais significativas do nosso estado”, alertou Araujo.
Em uma nota pública divulgada na última sexta-feira (23), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) informou que irá adotar medidas para amenizar as perdas enfrentadas pelo setor cacaueiro, em resposta às denúncias de formação de cartel e à deturpação do Drawback. A insegurança gerada pela Instrução Normativa nº 125, que trata das questões fitossanitárias dos produtos importados, também é uma preocupação para o setor. Essas ações, que contarão com o apoio de sindicatos da região cacaueira, serão formalmente apresentadas a deputados federais, senadores e à Frente Parlamentar da Agropecuária.
Ação do Governo Federal Requerida
Luciano Araujo reivindica uma posição imediata do Governo Federal em relação à política de importações. “É intolerável que o governo permita a entrada irrestrita de produtos que competem diretamente com a nossa produção nacional, sobretudo quando há alegações de que a produção interna é suficiente para atender à demanda industrial. O governo federal precisa revisar com urgência essa política que apenas gera prejuízos para os produtores baianos e desemprego na região cacaueira”, criticou o deputado.
O deputado defende a implementação de medidas que valorizem a produção nacional e assegurem a sobrevivência dos produtores baianos, que são responsáveis por uma cultura que se configura como um patrimônio econômico e cultural do estado. A situação atual exige uma resposta robusta e eficiente para proteger os interesses dos agricultores e a qualidade do cacau produzido na Bahia.


