Investigação qualificada para transformar dados em prevenção
Por trás de cada estatística sobre mortalidade, há uma história de vida interrompida e uma família que enfrenta a dor da perda. Reconhecendo essa realidade, a Diretoria de vigilância epidemiológica (Divep), por meio da Coordenação de Vigilância de Óbitos (Coveo), promove a Oficina Estadual de Vigilância de Óbitos, que ocorre entre os dias 25 e 27 de maio no auditório Lúcia Alencar, na sede da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), em Salvador.
O evento reúne profissionais técnicos das diversas regiões, envolvidos na Vigilância de Óbitos, Atenção Básica, do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e maternidades. O objetivo vai além do simples preenchimento de relatórios: busca qualificar a investigação de mortes fetais, infantis, maternas, de pessoas em idade fértil (10 a 49 anos) e aquelas com causas mal definidas. Essa iniciativa visa identificar falhas no sistema de saúde para garantir que famílias baianas tenham acesso a serviços de melhor qualidade.
Impacto direto na melhoria do atendimento e políticas públicas
Para a população, o aprimoramento na investigação de óbitos tem efeitos imediatos e concretos. Quando o Estado entende com precisão onde ocorreram falhas — seja na ausência do pré-natal ou na demora no atendimento de urgência —, é possível implementar ações que tornam as maternidades mais seguras e reduzir mortes que poderiam ser evitadas. Esse diagnóstico detalhado apoia a criação de políticas públicas mais eficazes e direcionadas às necessidades reais da comunidade.
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Além disso, a oficina reforça a parceria entre a Sesab e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para melhorar a investigação das mortes de mulheres e aprimorar as ferramentas de combate ao feminicídio, um tema urgente e sensível na Bahia.
Formação contínua e integração entre profissionais da saúde
Durante o encontro, a técnica referente à vigilância epidemiológica do óbito infantil e fetal destacou a importância da capacitação constante dos profissionais e do fortalecimento dos processos investigativos. “Organizamos a oficina para orientar sobre o correto preenchimento das fichas de investigação, os fluxos, prazos e normas vigentes. Queremos garantir que as informações sejam qualificadas e validadas, além de fortalecer as câmaras técnicas nos municípios”, explicou.
Ela ressaltou que a investigação de óbitos é complexa e envolve diferentes níveis do sistema de saúde — da atenção primária às unidades hospitalares — incluindo visitas domiciliares e análise detalhada dos dados. “Trabalhamos especialmente com causas mal definidas, que exigem atenção cuidadosa no preenchimento da declaração de óbito pelos médicos. Nossa atuação tem caráter ético, político e epidemiológico, pois identifica vulnerabilidades, qualifica serviços e amplia o acesso à saúde. Essa construção coletiva é fundamental para que intervenções nas políticas públicas sejam mais efetivas”, concluiu.
O evento também promove a articulação entre diferentes setores da saúde, como a Diretoria de Atenção Básica, Núcleos Regionais de Saúde e equipes municipais, reafirmando que a integração é essencial para fortalecer a rede de cuidado em todo o estado da Bahia.

