Escândalo de Corrupção Abala Estruturas Políticas
As investigações em torno do escândalo de corrupção relacionado ao banco Master têm repercussions significativas na política baiana, afetando figuras de diferentes correntes ideológicas. Nomes de peso como ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e membro do União Brasil, e Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, estão entre os implicados. Esse contexto promete se transformar em uma arma política nas eleições estaduais de outubro, especialmente com Neto almejando a candidatura ao governo, competindo diretamente com o atual governador Jerônimo Rodrigues, do PT. Wagner, por sua vez, está de olho em uma das vagas do Senado na chapa governista.
As revelações não param por aí. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do banco Master e da gestora de recursos Reag, que atualmente é alvo da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro, durante o período entre março de 2023 e maio de 2024. Neto defende que esses valores correspondem a honorários por serviços de consultoria prestados.
Por outro lado, Jaques Wagner enfrenta suas próprias complicações. A empresa de sua nora, a BK Financeira, teria recebido R$ 11 milhões do Master. Wagner, no entanto, nega qualquer envolvimento e afirma não ter conhecimento da investigação, ressaltando que jamais participou de negociações em favor da empresa. Além disso, o petista privatizou a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, que foi adquirida em 2018 por Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, do banco Master. Lima deixou a instituição em 2023, levando consigo o Credcesta, cartão de crédito consignado voltado para servidores e aposentados, que estava entre os ativos do leilão promovido pela gestão de Rui Costa.
Polarização e Troca de Acusações Intensificam Clima Eleitoral
Com o avanço das investigações, a tensão entre os partidos cresce. Tanto a direita quanto a esquerda começaram a se atacar publicamente, num clima de acirramento eleitoral que promete aumentar até outubro. Na sexta-feira, 13, Wagner previu que novas informações sobre a oposição devem surgir em breve, apostando que esses dados comprometerão a campanha de ACM Neto ao governo baiano. Ele fez uma declaração contundente: “Notícia ruim sempre compromete uma caminhada [política]. E pelo que estou sabendo, é só o começo, só a ponta do iceberg. Tem mais coisa a caminho”.
No entanto, ACM Neto não está isolado. O atual prefeito de Salvador, aliado de Neto, defendeu seu correligionário com veemência: “Você já viu alguém fazer coisa errada, receber na conta e declarar no imposto de renda?” Ele argumentou que os valores recebidos pelo ex-prefeito foram devidamente declarados e que os serviços de consultoria prestados foram oferecidos num momento em que não havia suspeitas de irregularidades.
Reação nas Redes Sociais e Projeções para o Futuro
Nas redes sociais, os políticos alinhados a Jair Bolsonaro também entraram na discussão, alegando que o escândalo do Master é uma extensão dos problemas do PT na Bahia. Rogério Marinho, coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, declarou: “O escândalo do Banco Master não é um acaso. É mais um capítulo do projeto de poder do PT. Da Bahia ao Planalto, vemos o mesmo padrão de aparelhamento e corrupção. Padrão PT. O Brasil já viu esse filme e sabe quem sempre paga a conta”.
O governador Jerônimo Rodrigues, que aparece em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto diante de ACM Neto, também manifestou sua intenção de usar o caso a seu favor: “Espero que a Justiça tome conta, acompanhe, monitore e mostre para a gente de fato a realidade. Eu aguardo que a Justiça faça o seu papel, esse é um tema muito sério.”
Diante desse cenário de queda de braço, a equipe de campanha de ACM Neto percebe a necessidade de cautela. Estão planejando uma estratégia de marketing eleitoral sob a supervisão de João Santana, ex-marqueteiro do PT, que promete trazer uma nova abordagem à campanha. O clima tenso das investigações e as polarizações políticas prometem moldar significativamente o futuro eleitoral na Bahia.


