Liberação de Alianças Regionais
Com a presença de três pré-candidatos a presidente, o PSD tomou a importante decisão de permitir que suas lideranças em estados-chave como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco não precisem apoiar a candidatura escolhida pelo partido na corrida presidencial. Durante uma entrevista ao GLOBO na última quinta-feira, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que recentemente se filiou à sigla, comentou sobre a situação na Bahia. Ele confirmou que o candidato presidencial do PSD estará em palanques opostos ao partido nas eleições baianas, devido a um alinhamento local com o PT.
De acordo com Caiado, ele já discutiu a situação com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, ressaltando que a estratégia no estado é liberar o diretório local para manter a aliança com o atual governador Jerônimo Rodrigues, do PT. Nesse contexto, o candidato do PSD poderá unir-se ao palanque de ACM Neto, do União, que é adversário do PT na Bahia.
“A Bahia é um estado que merece nossa atenção especial, considerando seu impacto no voto. O PSD, no estado, tem a intenção de caminhar ao lado do governador atual e do presidente em exercício. O candidato a presidente do PSD, por sua vez, estará no palanque de ACM Neto”, destacou Caiado.
Palanques em Estados Estratégicos
O PSD também enfrenta desafios em outros estados estratégicos, onde se integra à base de governos que apoiam o Planalto ou está atrelado a projetos locais que dificultam o suporte a uma candidatura presidencial de oposição. No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PSD) mantém um alinhamento com o presidente Lula (PT), o que complica a atuação do partido para promover um candidato próprio ao Planalto.
No Nordeste, além da Bahia, a situação é semelhante em outros estados. No Piauí, a sigla deverá novamente compor a chapa do governador Rafael Fonteles (PT). Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição, está em busca de apoio do PT, em um cenário onde o atual prefeito do Recife, João Campos (PSB), também deve concorrer.
Os dirigentes do partido reconhecem que a prioridade nesses estados tende a ser a manutenção das alianças regionais, mesmo que isso limite o espaço para a chapa nacional do PSD.
Desafios em Minas Gerais e São Paulo
Minas Gerais é outra área de atenção crítica, onde o governador Romeu Zema (Novo) resiste a compartilhar o protagonismo no espectro da direita. O PSD fez a filiação de Mateus Simões, o vice de Zema, que concorrerá à sucessão estadual. A expectativa é que Simões apoie a candidatura de Zema ao Palácio do Planalto.
Já em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, o partido encontra-se dividido entre a aliança com Tarcísio de Freitas e os esforços de Kassab para preservar a autonomia em 2026. Kassab evita conflitos diretos com o governador paulista, que, recentemente, declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
Entraves no Sul do País
Além dessas questões, dirigentes do PSD também identificam entraves no Sul do Brasil, onde o partido possui quadros competitivos, mas enfrenta dificuldades para consolidar palanques unificados. No Rio Grande do Sul, mesmo com o governador Eduardo Leite entre os possíveis candidatos à presidência, a legenda lida com divisões internas e alianças regionais que não necessariamente se alinham a um projeto nacional.
Em Santa Catarina, o espaço do campo conservador é predominantemente ocupado pela facção do ex-presidente Jair Bolsonaro. O PSD deve lançar João Rodrigues, atual prefeito de Chapecó, como candidato ao governo estadual, mas ele também disputará suporte entre os aliados de Bolsonaro.
No entendimento do PSD, o verdadeiro desafio não reside apenas na escolha do candidato, mas na capacidade do partido de sustentar uma candidatura presidencial sem comprometer os acordos regionais que já estabeleceu.


