Uma Celebração de Fé e Cultura
A Lavagem de Itapuã, uma das mais emblemáticas manifestações culturais e religiosas de Salvador, celebra 121 anos de história em 2026, reafirmando sua importância como símbolo de fé, identidade comunitária e resistência cultural. Tradicionalmente realizada às vésperas do Carnaval, a festa terá sua abertura oficial nesta quarta-feira (05/02/2026), com um vibrante cortejo de baianas, blocos culturais e apresentações musicais que prometem atrair tanto moradores quanto visitantes pelas ruas do bairro de Itapuã.
Com mais de 30 atrações programadas, a festividade incluirá samba de roda, afoxé, percussão, instrumentos de sopro e a tradicional água de cheiro, que juntos representam a fusão entre religiosidade, cultura popular e celebração coletiva. As atividades se estenderão até a segunda-feira (09/02), com eventos durante o dia e shows noturnos entre sexta e domingo, além da entrega de oferendas a Iemanjá, que marcará o encerramento do evento.
Cortejo Popular e Símbolos da Tradição
A abertura da Lavagem de Itapuã é sinônimo de alegria e reverência, iniciando-se com cânticos, percussão e a sonoridade de instrumentos de sopro que anunciam a festa já nas primeiras horas da madrugada. O tradicional Bando Anunciador se encontra na Praça de Geraldão, próximo à Rua do Tamarineiro, e a partir daí segue em cortejo pelas principais ruas do bairro, envolvendo uma multidão composta por moradores, devotos e turistas.
A alvorada é celebrada com queima de fogos, seguida de um dos momentos mais significativos da festividade: a lavagem das escadarias da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã. Este ritual, conduzido pelas baianas, simboliza purificação, renovação espiritual e a conexão com as tradições de matriz africana, em um diálogo histórico com o catolicismo popular.
O cortejo também contará com blocos culturais e personagens icônicos, como a baleia Jubarte, famosa criação do artista plástico Ives Quaglia, que se tornou um símbolo visual da Lavagem de Itapuã ao longo dos anos, representando a criatividade, a identidade local e a memória afetiva da comunidade.
Organização Comunitária e Apoio Institucional
A realização da Lavagem de Itapuã é uma obra da Associação dos Moradores de Itapuã (AMI), com o apoio direto da comunidade, de grupos e entidades carnavalescas, além do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Turismo da Bahia (Setur). Essa articulação entre a organização comunitária e o poder público é fundamental para garantir a estrutura necessária à realização do evento, preservando sua autenticidade e ampliando seu alcance cultural e turístico.
Durante os dias de festividade, o bairro se transforma em um grande espaço de convivência, congregando manifestações religiosas, artísticas e musicais que reforçam a conexão entre tradição, território e identidade coletiva.
Homenagens que Reforçam Vínculos com a Comunidade
Este ano, a edição comemorativa dos 121 anos da Lavagem de Itapuã homenageia duas personalidades que têm uma conexão profunda com a cultura e a vida comunitária do bairro. A primeira é Teresa Alves de Souza, Ekedi do terreiro Ilê Axé Oya Demim, de Lauro de Freitas, conhecida por sua atuação no campo religioso e cultural. O segundo homenageado é Ulisses dos Santos, músico, pescador e fundador do Afoxé Korin Nagô, cuja trajetória está intrinsicamente ligada à preservação das tradições afro-baianas em Itapuã.
Essas homenagens ressaltam a importância das lideranças culturais e religiosas na manutenção da memória, fé e resistência simbólica que definem a Lavagem de Itapuã desde o início do século XX.


