Críticas ao Papel da ONU e Necessidade de Reformas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou críticas à atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) durante seu discurso no 1º Fórum de Alto Nível Celac-África, realizado em Bogotá, Colômbia, no último sábado (21). Segundo Lula, o Conselho de Segurança, que deveria ser um bastião da paz, tem contribuído para a promoção de guerras, especialmente em regiões como o Oriente Médio, citando especificamente os conflitos na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irã.
A afirmação de Lula foi enfática: “O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”. Ele expressou sua indignação com o que considera a passividade da instituição em resolver conflitos que afligem diversas nações, enfatizando a incapacidade do conselho em agir em situações críticas como as de Gaza e da Ucrânia. “Quem tem mais canhão, mais navio, mais avião e mais dinheiro se acha dono do mundo”, lamentou.
O presidente brasileiro também abordou a necessidade urgente de uma reforma no Conselho de Segurança, enfatizando que a América Latina e a África precisam de uma maior representação no órgão. “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se coloca mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”, questionou.
Lula classificou o atual cenário internacional como um dos mais conflituosos desde o final da Segunda Guerra Mundial, lembrando que, enquanto o mundo investe massivamente em armamentos — cerca de US$ 2,7 trilhões em 2025 —, a fome continua a ser uma questão alarmante, afetando entre 630 milhões e 720 milhões de pessoas globalmente.
O Caso do Irã e a Lógica da Dominação
Parte significativa do discurso de Lula foi dedicada ao Irã, onde relembrou sua visita ao país em 2010 ao lado do então presidente turco, Abdullah Gül, para negociar um acordo sobre enriquecimento de urânio. Ele afirmou que o pacto, que teve o aval do ex-presidente americano Barack Obama, foi posteriormente desrespeitado, resultando em um endurecimento das sanções contra o Irã.
“Depois de alguns anos, foram fazer outro acordo pior do que aquele que a gente tinha feito”, comentou, ressaltando que esse episódio ilustra a estratégia das potências em criar inimigos para justificar o uso da força. “Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras”, enfatizou, referindo-se às justificativas utilizadas, especialmente durante a administração de Donald Trump, para ataques ao Irã.
Lula também alertou sobre a nova forma de dominação que se estabelece por meio da exploração de recursos naturais, mencionando a disputa por minerais críticos e terras raras. O presidente instou os países da América Latina e da África a utilizarem seus recursos de forma a não serem tratados apenas como exportadores, mas como agentes ativos na produção.
“Com os minerais críticos é a chance de Bolívia, África e América Latina não aceitar ser apenas exportadora”, defendeu, conclamando investidores estrangeiros a se estabelecerem e produzirem nos países da região.
Cobrando por uma repactuação do Atlântico Sul livre de disputas geopolíticas, Lula anunciou a realização de uma reunião ministerial para o dia 9 de abril, focando na Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.


