Magistério em Mobilização
Na última terça-feira (24), o Conselho de Representantes do SISMMAC se reuniu para discutir estratégias que visam fortalecer a luta do magistério no início deste ano letivo. A gestão de Pimentel continua a implementar políticas que desvalorizam a carreira dos educadores, promovem a desorganização da rede e mostram falta de compromisso com as demandas do setor. “Diante desse cenário, é imprescindível intensificarmos nossa mobilização”, destacou um dos representantes presentes na reunião.
Um ponto crítico abordado foi o Crescimento Vertical, um direito que deveria ser implementado em 2025, mas que tem sido tratado pela Prefeitura como uma questão secundária. Após um longo período de congelamento da carreira, que persiste há mais de uma década, a gestão municipal impõe critérios rigorosos que dificultam o avanço profissional da maioria dos professores. Embora um edital tenha sido publicado, não há um cronograma claro de implementação ou garantias de pagamento, evidenciando o desinteresse da administração Pimentel em valorizar o esforço dos educadores que investem em sua formação profissional.
Desafios e Perspectivas
Além do Crescimento Vertical, o procedimento de crescimento horizontal também está agendado para este ano, mas a falta de comprometimento da Prefeitura gera receios de que atrasos e indefinições se repitam. “Não se trata de falta de orçamento, mas sim de uma escolha política da gestão”, afirmou um membro do conselho.
Outro tema discutido foi o programa Descongela, que foi aprovado pelo governo Lula e permite a contagem de direitos, como anuênios e quinquênios, que foram desconsiderados pelo governo anterior de Bolsonaro, entre maio de 2020 e dezembro de 2021. Embora várias administrações já tenham estabelecido cronogramas de implementação, em Curitiba, a gestão de Pimentel ainda não apresentou ações concretas, prejudicando diretamente os professores, que permanecem sem acesso a importantes direitos que poderiam impactar suas aposentadorias.
Desorganização na Secretaria de Educação
A gestão Pimentel na Secretaria Municipal de Educação (SME) tem sido marcada por instabilidade e decisões tomadas sem o devido diálogo com os educadores. Mudanças curriculares sem respaldo normativo e orientações contraditórias nas escolas têm causado desgaste nas unidades de ensino logo no início do ano letivo. A recente troca no comando da Secretaria, com a nomeação de Paulo Schmidt, não promete mudanças significativas. Essa escolha é vista por muitos como um retorno a um modelo já conhecido, que, no passado, resultou em redução de profissionais nas escolas e desmonte da carreira docente.
Ameaças à Democracia Escolar
Durante a reunião, o Conselho também debateu o polêmico projeto de militarização das escolas municipais, que representa uma ameaça à gestão democrática e à autonomia das unidades de ensino. Esse projeto desvia recursos que deveriam ser utilizados para a valorização salarial dos educadores, em vez de financiar cargos de militares, exacerbando a falta de profissionais da educação e a carência de investimentos estruturais. Além disso, cria um ambiente de intimidação que compromete a organização coletiva da classe docente.
“É um projeto que visa conquistar apoio eleitoral de setores radicais da sociedade, sem realmente responder às demandas das escolas”, afirmou um dos participantes do conselho, destacando as implicações negativas dessa proposta.
Articulação e Ajustes Necessários
Outros assuntos abordados na reunião incluíram o caso CredCesta/Banco Master, onde a pressão do SISMMAC foi fundamental para a suspensão dos descontos em folha. As mudanças no auxílio-transporte também foram discutidas, assim como a tentativa da gestão municipal de manipular a Conferência Municipal de Educação e a participação do SISMMAC no Congresso da CNTE, que visa fortalecer a luta nacional pela educação.
O Que Está em Jogo
À medida que 2026 se aproxima, uma disputa significativa se delineia para a educação municipal. De um lado, há uma gestão que não valoriza a carreira docente, improvisa na organização pedagógica e toma medidas que fragilizam a rede de ensino. De outro, o magistério luta por direitos, valorização e melhores condições de trabalho. O SISMMAC planeja intensificar suas ações com visitas e panfletagens nas escolas para dialogar com professores e suas famílias. Em março, uma Assembleia será convocada para que a categoria possa deliberar sobre os próximos passos da luta diante do desinteresse da gestão Pimentel.
Está claro que a mobilização e a pressão organizada são essenciais para conquistar avanços. A união do magistério é crucial para garantir um futuro digno para a educação pública de Curitiba, reafirmando que sem luta não há progresso.


