Críticas ao Plano de ACM Neto
Na terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, o deputado estadual Marcelino Galo, representando o PT, teceu duras críticas ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do União Brasil. Galo argumentou que Neto, ao se preparar para disputar o governo da Bahia, está propondo uma reorganização das contas públicas que, segundo ele, se baseia em um aumento de impostos. Durante sua gestão na prefeitura, Neto teria adotado estratégias fiscais que, na avaliação de Galo, oneraram os cidadãos baianos.
O deputado destacou que medidas como o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e a criação da Taxa de Coleta de Lixo resultaram em um considerável aumento da carga tributária em Salvador. Galo ressaltou que essa situação fez da capital baiana uma das cidades com a maior tributação urbana do Brasil, levantando questionamentos sobre a viabilidade das promessas de Neto para o estado.
Fiscalidade e Aumento da Carga Tributária
De acordo com Galo, o modelo fiscal implementado por Neto na prefeitura focou em aumentar a arrecadação através de tributos municipais, o que, segundo ele, indicaria uma continuidade desse tipo de gestão, caso Neto assumisse o governo da Bahia. O deputado utilizou o termo “escorcha tributária” para descrever a política fiscal de seu adversário, um rótulo que reflete o impacto negativo sobre os contribuintes.
Como parte de suas críticas, Galo citou um artigo da Folha de S.Paulo, publicado em 2019, que revelava que empresas ligadas a aliados de ACM Neto faturaram R$ 715 milhões com contratos com a prefeitura. Essa informação, segundo o deputado, evidenciaria uma prática de favorecimento a empresas que mantinham relações políticas com a gestão municipal, o que, para ele, comprometeria a integridade administrativa.
Contratos e Relações de Proximidade Política
Ainda refletindo sobre o panorama de contratos municipais, Galo apontou que as empresas contratadas para serviços essenciais, como obras públicas e manutenção de áreas urbanas, frequentemente têm laços com aliados políticos de Neto. Para o deputado, a possibilidade de uma gestão estadual sob a batuta de ACM Neto representaria a ampliação desse modelo administrativo, que privilegia interesses pessoais em detrimento do bem público.
Além da crítica ao sistema de contratação, Galo expressou preocupação com o desenvolvimento socioeconômico de Salvador. Em suas falas, ele argumentou que a cidade, nos últimos anos, não apenas perdeu espaço no cenário econômico nordestino, mas também apresentou PIB per capita e indicadores de saúde e educação aquém do esperado.
Desempenho Socioeconômico e A Gestão Atual
Na percepção de Galo, esses elementos são cruciais para avaliar a capacidade de ACM Neto em lidar com as finanças estaduais. Ele comparou a gestão do ex-prefeito com a atual administração do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que, segundo Galo, tem mantido as contas públicas equilibradas e ampliado investimentos em várias áreas. O deputado destacou que a Bahia tem se posicionado favoravelmente no que tange a investimentos públicos, um argumento que é frequentemente utilizado pela administração atual para reforçar sua política fiscal.
Perspectivas Eleitorais e Disputas Políticas
As declarações de Marcelino Galo se inserem em um contexto político de aquecimento visando as eleições estaduais. A disputa entre os grupos políticos pelo controle narrativo das contas públicas e pela capacidade administrativa se intensifica à medida que o estado se aproxima de um novo ciclo eleitoral. Galo, com sua retórica incisiva, busca não apenas questionar as propostas de seu adversário, mas também reafirmar a relevância da gestão fiscal responsável e equilibrada que a Bahia vem adotando sob a liderança do atual governador.


