Cenário Promissor para a Pecuária Baiana em 2026
De acordo com as projeções da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, a pecuária no estado deve continuar sua trajetória de crescimento em 2026. A expansão será impulsionada por setores como a bovinocultura de corte, produção leiteira, avicultura e suinocultura, além da consolidação da liderança na caprinovinocultura. Os dados indicam um ambiente favorável para a expansão produtiva, caracterizado por ganhos de eficiência, adoção de tecnologias e um sólido fortalecimento das cadeias agroindustriais, o que deve resultar em impactos positivos na geração de emprego e desenvolvimento regional.
A avaliação técnica da Seagri destaca que a combinação das cadeias consolidadas com atividades em expansão cria uma base mais resiliente para a pecuária do estado. O secretário da Agricultura da Bahia, Pablo Barrozo, enfatiza que as políticas públicas, programas de incentivo e investimentos estruturantes têm fortalecido o ambiente de negócios no campo. Segundo ele, as ações implementadas pelo Governo do Estado têm permitido ao produtor rural aproveitar oportunidades, com reflexos diretos na dinamização das economias locais e no crescimento social em diversas regiões da Bahia.
Diversificação Produtiva como Base da Pecuária
Esse cenário otimista se sustenta principalmente no desempenho das principais cadeias produtivas, que se mostram economicamente relevantes e adaptáveis às exigências do mercado. A bovinocultura, por exemplo, mantém-se como o eixo central da pecuária no estado. Com um rebanho estimado em 14 milhões de cabeças, a Bahia lidera a produção no Nordeste e ocupa a 7ª posição no ranking nacional. Em 2024, a bovinocultura de corte alcançou um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 5,9 bilhões, consolidando sua importância econômica.
O desempenho do setor reforça a relevância da cadeia da carne bovina na geração de emprego, renda e circulação econômica nas diversas regiões baianas. Na produção de leite, a Bahia se destaca como a 8ª maior potência do Brasil, com um volume anual estimado em 1,27 bilhão de litros e um VBP de aproximadamente R$ 1,3 bilhão, ocupando a 3ª posição entre as unidades da federação. Esses números ressaltam a importância da cadeia leiteira, especialmente em termos de fixação do produtor no meio rural e na manutenção de pequenas e médias propriedades.
Avicultura e Suinocultura: Setores em Expansão
A avicultura na Bahia se consolidou como um dos maiores produtores de frango de corte do país, ocupando a 9ª posição no ranking nacional. Segundo a Seagri, o setor desempenha um papel essencial no abastecimento do mercado interno, com crescimento sustentado por sistemas integrados de produção. Os avanços incluem investimentos em biosseguridade, sanidade animal e eficiência produtiva, o que contribui para uma maior competitividade.
A suinocultura, por sua vez, apresenta um crescimento consistente e deve ampliar sua participação econômica até 2026. Tradicionalmente voltada para o consumo interno, a atividade passou por um processo de modernização e tecnificação. Desde a década de 1980, sua produção se expandiu além de localidades como São Sebastião do Passé e Entre Rios, alcançando o Recôncavo, Sudoeste e Oeste da Bahia, e se firmando como uma alternativa relevante de diversificação produtiva.
Caprinovinocultura: Liderança Nacional no Semiárido
Predominante no semiárido e altamente adaptada ao bioma Caatinga, a caprinovinocultura se mantém como uma das principais forças da pecuária baiana. Dados do IBGE revelam que, em 2024, o rebanho nacional de ovinos e caprinos atingiu cerca de 35 milhões de animais. A Bahia está entre os estados com os maiores rebanhos do país, ao lado de Pernambuco e Piauí na criação de caprinos, e lidera, junto com Pernambuco, a produção de ovinos. Esta atividade é fundamental para fortalecer a agricultura familiar, gerar emprego e atender à crescente demanda por carnes magras e produtos derivados.
Inovação e Sustentabilidade na Pecuária
A adoção de novas tecnologias tem sido crucial para elevar a produtividade e a competitividade da pecuária baiana. Investimentos em melhoramento genético e manejo sustentável estão em ascensão. Apesar de o sistema extensivo ainda ser predominante, observa-se um avanço no uso de confinamentos e sistemas intensivos, que melhoram a eficiência da terminação dos animais e promovem uma produção mais responsável.
Para 2026, espera-se um foco maior em saúde animal, com o fortalecimento de programas de prevenção e vigilância sanitária, além de melhorias em nutrição e manejo alimentar. Práticas como a recuperação de pastagens e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) devem ganhar espaço e relevância no setor.
Desafios e Oportunidades no Agronegócio Baiano
O cenário projetado para 2026 indica uma pecuária baiana mais diversificada e tecnicamente estruturada, com cadeias produtivas capazes de sustentar o crescimento econômico e o desenvolvimento regional. A liderança em segmentos como a bovinocultura e a caprinovinocultura confere ao estado uma posição estratégica no agronegócio brasileiro. Porém, a ampliação da competitividade requer a continuidade de investimentos públicos, eficiência logística e acesso a mercados, especialmente diante das crescentes exigências sanitárias e ambientais.
A capacidade de integrar inovação tecnológica, sustentabilidade e inclusão produtiva será fundamental para transformar o crescimento projetado em benefícios duradouros para o campo e para a economia baiana.


