Desafios Persistentes entre Adolescentes na Bahia
A mais recente edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), divulgada nesta quarta-feira (25/03/2026) pelo IBGE em parceria com os ministérios da Saúde e da Educação, apresenta um cenário complexo para adolescentes de 13 a 17 anos na Bahia. Embora a pesquisa indique uma diminuição no consumo de álcool e drogas ilícitas, os índices de bullying, violência sexual, uso de cigarro eletrônico e questões de saúde mental permanecem alarmantes, demonstrando desafios estruturais que afetam o ambiente escolar e familiar.
O estudo, que entrevistou mais de 150 mil estudantes em 4.278 escolas em todo o Brasil, incluindo 192 instituições na Bahia, trouxe à tona dados que refletem os hábitos, comportamentos e vulnerabilidades da juventude. No estado, foram entrevistados 6.758 adolescentes, dentro de um universo estimado de 846 mil matriculados, na maioria na rede pública de ensino.
Aumento do Bullying entre Estudantes
Um dos dados mais preocupantes diz respeito ao bullying, que avançou significativamente. Em 2024, 37,7% dos adolescentes na Bahia relataram ter sido alvo de humilhações recentes na escola, um aumento em relação aos 34,1% registrados em 2019. Este crescimento representa o quarto maior aumento entre os estados brasileiros.
Na capital, Salvador, a situação é semelhante, com 38,3% dos estudantes afetados. O bullying é especialmente prevalente entre meninas e alunos da rede privada, sendo a aparência física — como rosto, cabelo e corpo — a principal motivação por trás das agressões, com um aumento expressivo em comparação com o levantamento anterior.
Queda no Consumo de Álcool e Aumento do Uso de Cigarros Eletrônicos
A pesquisa revela uma diminuição no uso de substâncias tradicionais, como o álcool. A proporção de adolescentes que já experimentaram bebidas alcoólicas caiu de 60,6% em 2019 para 51,6% em 2024, embora ainda represente uma preocupação significativa, uma vez que mais da metade dos estudantes admite o uso.
No que diz respeito às drogas ilícitas, a Bahia figura como o estado com o menor índice do Brasil, com apenas 4,3% dos adolescentes afirmando já ter experimentado essas substâncias, uma redução em relação aos 5,5% registrados anteriormente. No entanto, um dado alarmante é a mudança nos hábitos em relação ao tabaco. O uso de cigarro convencional apresentou uma leve queda, enquanto o uso de cigarro eletrônico mais que dobrou, passando de 9,6% para 21,2%, atingindo um em cada cinco adolescentes no estado.
Violência Sexual e Suas Consequências entre os Jovens
Outro ponto crítico levantado pela pesquisa diz respeito à violência sexual. Em 2024, 8,6% dos adolescentes baianos confessaram ter sido forçados a atos sexuais, um aumento significativo em comparação aos 5,1% de 2019. Além disso, 70,4% das vítimas relataram ter sofrido violência antes dos 13 anos e 76,8% foram agredidas por pessoas conhecidas. Aproximadamente um terço dos casos envolvem familiares como agressores, o que indica uma forte vulnerabilidade social.
Iniciação Sexual e Saúde Mental em Alerta
A proporção de adolescentes que já tiveram relações sexuais caiu para 30,8% na Bahia, porém, a iniciação sexual tem ocorrido mais precocemente. Entre os jovens sexualmente ativos, 41,2% começaram a vida sexual antes dos 13 anos, o que potencializa riscos à saúde e à proteção social.
Os indicadores de saúde mental, por sua vez, não mostraram melhora significativa. Em 2024, 29,4% dos adolescentes relataram sentir tristeza frequente, 19,9% afirmaram que a vida não vale a pena e 31,9% relataram vontade de se machucar. Os índices são especialmente altos entre as meninas, que apresentam números muito superiores aos meninos em todos os aspectos analisados.
Atividade Física e Comportamento Sedentário dos Jovens
Embora tenha havido um avanço na prática de atividades físicas — 28,1% dos adolescentes são considerados ativos, um aumento em comparação aos 25,4% de 2019 — o comportamento sedentário ainda é preocupante. Cerca de 40,7% dos jovens passam mais de três horas por dia em frente a telas, embora esse número tenha apresentado uma leve queda em relação ao período anterior.
Perfil Demográfico dos Estudantes na Bahia
O perfil dos adolescentes na Bahia se mantém relativamente estável: 52,1% são mulheres, 25,7% se identificam como pretos e 49,7% como pardos. Além disso, 85,5% estudam na rede pública. O estado continua sendo o que possui a maior proporção de estudantes pretos e uma das menores de brancos, refletindo suas características demográficas e históricas.


