O Que é a PMA?
A Política de Preço Mínimo Anunciado (PMA) é uma prática comercial adotada por fabricantes que estabelece um preço mínimo que os revendedores podem divulgar ao público. Diferentemente de determinar um preço final de venda, a PMA proíbe os revendedores de anunciar preços inferiores ao mínimo estipulado. Embora os varejistas possam oferecer descontos não anunciados durante a negociação, essa política busca manter um padrão de preços que preserve a imagem da marca e a margem de lucro dos distribuidores. Trata-se de um arranjo vertical entre fabricantes e revendedores, semelhante à manutenção de preço de revenda, que, embora não impeça a concorrência, limita a competitividade de preços entre os revendedores.
Motivações para a Adoção da PMA
Os fabricantes que adotam a PMA geralmente justificam essa prática como uma forma de proteger a percepção de valor do produto e evitar guerras de preço que poderiam prejudicar a imagem da marca. Além disso, muitos argumentam que a PMA combate o fenômeno do ‘free riding’, em que revendedores que não investem em serviços e infraestrutura conseguem vender a preços muito baixos, prejudicando aqueles que proporcionam um atendimento especializado. Com uma política de preço mínimo, busca-se incentivar a manutenção de altos padrões de serviço, já que os revendedores não seriam constantemente subcotados por concorrentes que focam apenas em preços.
Casos Relevantes do CADE
No Brasil, o tema da PMA ganhou destaque em duas consultas ao CADE, ambas relacionadas ao setor de pneus. Em 2018, a Continental questionou a legalidade de sua política de PMA. O Tribunal do CADE considerou a estratégia lícita, pois a fabricante e seus revendedores não possuíam um poder de mercado relevante e a política foi criada sem a pressão de acordos entre os distribuidores. A decisão foi baseada na premissa de que a restrição competitiva seria mínima, dado o contexto de mercado.
Em contraste, em 2021, a Michelin apresentou uma consulta similar, mas a resposta foi diferente. O CADE, em uma decisão que gerou intenso debate, não aprovou a política de PMA, considerando-a incompatível com as normas de concorrência. A análise apontou que a PMA da Michelin restringia a capacidade dos revendedores de comunicar livremente seus preços, inibindo assim a concorrência e prejudicando consumidores mais sensíveis ao preço. Os conselheiros enfatizaram que práticas como essa poderiam facilitar colusões e limitar a competição.
Impactos e Considerações nas Vendas Online
A discussão sobre PMA se torna ainda mais complexa no ambiente do comércio eletrônico. Um dos pontos importantes a considerar é que, enquanto nos pontos de venda físicos os revendedores podem praticar preços diferentes através de negociações privadas, no e-commerce os preços são facilmente comparáveis, tornando a imposição de um preço mínimo mais evidente. Além disso, a transparência na Internet permite que os fabricantes monitorem os anúncios de forma mais eficiente, aumentando a possibilidade de coordenação de preços entre os concorrentes.
Outro aspecto a ser destacado é que a rigidez da PMA em plataformas online pode resultar em efeitos em cadeia. Quando um fabricante aplicável propõe essa política, todos os revendedores têm dificuldade em oferecer preços competitivos, o que pode levar a uma uniformização indesejada de preços. Assim, o CADE demonstrou preocupação em relação ao comércio eletrônico, considerando os riscos de coordenação de preços ainda mais evidentes nesse canal.
Legalidade e Práticas abusivas
Uma questão relevante que frequentemente surge é se um fabricante pode anunciar seus produtos a preços inferiores ao mínimo estabelecido para seus revendedores. Essa prática poderia ser vista como uma violação dos princípios de equidade, já que o fabricante estaria criando uma concorrência desleal entre os canais de venda. Tal conduta não é apenas questionável do ponto de vista ético, mas também legal, podendo levar a sanções por parte do CADE e a disputas judiciais, além de minar a confiança da rede de revendedores.
Conclusão e Recomendações Finais
A análise do CADE sobre a Política de Preço Mínimo Anunciado demonstra uma crescente preocupação com as práticas anticoncorrenciais. No comércio físico, as empresas já enfrentam desafios legais significativos ao implementarem a PMA, e no ambiente digital, essa vigilância é ainda mais rigorosa. Para as empresas que consideram a adoção de uma política de PMA, é vital avaliar cuidadosamente os riscos legais envolvidos, analisar a concorrência e verificar se a PMA é realmente necessária. Caso a política seja implementada, deverá ser aplicada de maneira uniforme a todos os canais de venda e elaborada sem acordo prévio com revendedores. Essa atitude pode ajudar a minimizar possíveis sanções e garantir a conformidade com as diretrizes do CADE.


