Retorno das Fábricas de Fertilizantes
A Petrobras anunciou a retomada da produção de ureia em suas fábricas situadas em Sergipe e na Bahia. De acordo com informações divulgadas pela estatal, os investimentos iniciais para reativar as operações foram de 38 milhões de reais em cada unidade. Essa iniciativa visa diminuir a dependência do Brasil em relação às importações do insumo, com a expectativa de atender até 35% da demanda nacional.
Na unidade de Sergipe, localizada no município de Laranjeiras, a produção de amônia já havia sido iniciada em 31 de dezembro, enquanto a produção de ureia começou oficialmente em 3 de janeiro. Por sua vez, a fábrica da Bahia, situada em Camaçari, finalizou a manutenção no mês passado e atualmente está passando por comissionamento, com previsão para iniciar a produção de ureia até o final de janeiro.
As duas plantas têm a capacidade de produzir amônia, ureia e ARLA 32, o Agente Redutor Líquido Automotivo, que é utilizado para reduzir emissões em veículos a diesel.
Capacidade de Produção e Mercado
A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe possui uma capacidade de produção de 1.800 toneladas diárias de ureia, o que representa cerca de 7% da demanda nacional. A planta da Bahia, por sua vez, tem capacidade para produzir 1.300 toneladas por dia, correspondendo a 5% do mercado brasileiro.
Além da reativação das unidades em Sergipe e Bahia, a Petrobras também retoma atividades na fábrica de fertilizantes Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), que estava fechada desde 2020. Essa unidade é parte importante da estratégia da estatal para fortalecer sua presença no setor de fertilizantes.
Histórico e Desafios da Produção de Fertilizantes
As fábricas de fertilizantes da Petrobras foram inauguradas em 2013, mas enfrentaram dificuldades financeiras, levando à interrupção de suas atividades em 2018. Durante o governo de Jair Bolsonaro, as unidades foram arrendadas à Unigel, que ficou responsável pelas operações em troca do fornecimento de gás natural. Contudo, o contrato foi questionado pelo Tribunal de Contas da União por suspeitas de irregularidades.
Em junho de 2024, a Petrobras anunciou o encerramento do contrato com a Unigel, alegando que a empresa não atendeu às condições exigidas para a manutenção do acordo. Após a assinatura de um novo arranjo de tolling, que deveria durar 8 meses e envolver um contrato de 760 milhões de reais, o negócio foi suspenso devido a indícios de um possível prejuízo de 478 milhões de reais aos cofres públicos.
Técnicos do TCU apontaram falhas nas justificativas para a realização do contrato e a falta de aprovações necessárias, além do risco que a Petrobras correria diante de um cenário de mercado desfavorável. Esses desdobramentos demonstram a complexidade do setor de fertilizantes e a necessidade de uma estratégia mais sólida para a produção nacional.


