Crescimento do Programa e Aumento da Cobertura
O Programa Mais Médicos passou por uma expansão notável nos últimos três anos, tornando-se fundamental na estratégia de fortalecimento da Atenção Primária à Saúde no Brasil. O número de médicos ativos aumentou de 13,7 mil para cerca de 27,3 mil, resultando em um crescimento de quase 100%. Atualmente, o programa está presente em aproximadamente 4,5 mil municípios, o que ajudou a ampliar a cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) e a elevar o volume de atendimentos básicos em todo o território nacional.
Entre 2022 e 2025, os atendimentos na Atenção Primária cresceram em torno de 30%, saltando de 23,9 milhões para mais de 31 milhões por ano. Esse avanço está intimamente ligado à maior capilaridade das equipes de Saúde da Família e de Atenção Primária, responsáveis por atender milhões de usuários do SUS e por resolver uma parte significativa das demandas de saúde nas comunidades.
Impacto no Nordeste e Desafios Estruturais
No Nordeste, a expansão do Mais Médicos tem se mostrado essencial para mitigar a escassez de profissionais em municípios pequenos, áreas rurais e regiões com maior vulnerabilidade social. A presença de médicos nas unidades básicas aumentou o acesso a consultas e ao acompanhamento de gestantes, crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas, além de fortalecer ações preventivas de saúde. Entretanto, gestores e especialistas ressaltam que a região ainda enfrenta um considerável vazio assistencial, especialmente na transição do atendimento básico para os serviços de média e alta complexidade.
Na Bahia, a situação não é muito diferente. O aumento no número de médicos nas áreas interioranas tem contribuído para melhorar o atendimento nas unidades básicas de saúde, facilitando o acesso aos cuidados médicos e reduzindo a necessidade de deslocamentos longos para consultas simples. Municípios que historicamente enfrentavam dificuldades em fixar profissionais agora contam com atendimento regular. No entanto, a expansão da atenção básica não foi acompanhada, em igual medida, por investimentos em hospitais regionais e na ampliação de serviços especializados.
Entraves no Sistema de Saúde
Apesar do crescimento no número de médicos, a carência de hospitais regionais bem equipados e distribuídos de maneira equilibrada continua sendo um dos principais obstáculos à integralidade do cuidado no Nordeste e na Bahia. Em muitos casos, pacientes atendidos na atenção primária encontram dificuldades para dar continuidade ao tratamento, especialmente quando necessitam de exames, cirurgias ou consultas com especialistas.
A fila de regulação se apresenta como o maior desafio do sistema. A alta demanda reprimida por procedimentos de média e alta complexidade sobrecarrega a rede hospitalar e limita os impactos positivos da ampliação do atendimento básico. Assim, mesmo com um maior número de médicos presentes nas unidades de saúde, o acesso a serviços especializados permanece lento, afetando diretamente o tempo de resposta do SUS e a resolutividade dos casos tratados.
A Importância de Políticas Complementares
Especialistas reconhecem que o Mais Médicos desempenha um papel crucial na diminuição dos vazios assistenciais e na ampliação do acesso inicial ao sistema de saúde. No entanto, sublinham que os resultados do programa dependem de políticas complementares. A ampliação da infraestrutura hospitalar, o fortalecimento da regulação e a integração entre os diferentes níveis de assistência são desafios centrais que precisam ser enfrentados nos próximos anos.
Assim, o crescimento do Mais Médicos representa um avanço significativo na Atenção Primária, especialmente em áreas que historicamente foram desassistidas. Contudo, a realidade no Nordeste e na Bahia evidencia que o combate às desigualdades em saúde requer medidas estruturais mais abrangentes, capazes de garantir um fluxo assistencial contínuo, acesso a serviços especializados e uma maior eficiência na regulação do sistema de saúde.


