A Reabertura da Passagem em Rafah
No último domingo (1º), Israel anunciou a reabertura parcial da passagem de Rafah, que conecta a Faixa de Gaza ao Egito. Essa medida foi direcionada exclusivamente aos moradores palestinos, sem a permissão de entrada para ajuda humanitária. A volta da passagem é uma etapa significativa, especialmente considerando o contexto da proposta de paz liderada pelo governo dos Estados Unidos em 2023, que recebeu apoio tanto de Tel Aviv quanto do grupo Hamas.
O comunicado foi feito pelo Cogat, que é o órgão responsável por supervisionar os assuntos civis em Gaza. “Estamos iniciando uma fase piloto em coordenação com a missão da União Europeia e as autoridades locais”, disse o órgão, que não mencionou a liberação de ajuda humanitária. A expectativa é que o trânsito de pessoas nas duas direções comece de fato na segunda-feira (2).
O Egito e a Jordânia criticaram a decisão, considerando-a uma tentativa de deslocar a população palestina. O presidente egípcio, Abdul Fatah Al-Sisi, e o rei Abdullah II da Jordânia, se encontraram no Cairo e reafirmaram sua posição contrária a qualquer tentativa de mudar a demografia da região.
Impacto na Saúde da População de Gaza
Conforme informações do Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, cerca de 20 mil pessoas estão aguardando a reabertura da passagem para buscar atendimento médico no Egito. A fronteira esteve fechada desde maio de 2024, e um dos pacientes, Mohammed Shamiya, de 33 anos, expressou sua angústia: “A cada dia que passa, meu estado piora e minha vida me escapa”, referindo-se à necessidade urgente de tratamento de diálise.
Mais uma reviravolta ocorreu quando Israel anunciou a interrupção das atividades da Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Faixa de Gaza. De acordo com o Ministério da Diáspora israelense, a organização não apresentou a lista de seus colaboradores palestinos, uma exigência imposta a todas as ONGs que atuam na região. O ministério alega que dois funcionários da MSF estão associados ao Hamas e ao Jihad Islâmico, uma acusação que a ONG nega veementemente.
Reações e Oposição às Decisões de Israel
A MSF considera a decisão de Israel como um pretexto para limitar a ajuda humanitária. A organização informou que, apesar de estar disposta a compartilhar uma lista parcial de seus colaboradores, não conseguiu estabelecer um diálogo eficaz com as autoridades israelenses sobre garantias de segurança para seus funcionários.
Além disso, Israel realizou um ataque aéreo em Gaza, resultando na morte de pelo menos 32 pessoas, incluindo três crianças. Este ataque foi um dos mais intensos na última semana, reforçando a fragilidade da trégua acordada entre as partes.
Planos Futuro para a Faixa de Gaza
Na esfera política, o plano de paz para Gaza, proposto por Donald Trump, prevê que a administração da região seja entregue a tecnocratas palestinos, além do desarmamento do Hamas e a retirada de tropas israelenses, com a presença de forças internacionais para garantir a paz e a reconstrução do território. No entanto, o Hamas já indicou que rejeita a proposta de desarmamento, o que deixa a situação em um impasse.
Essa reabertura da passagem de Rafah e as decisões relacionadas à presença de organizações humanitárias em Gaza trazem à tona a complexidade do cenário humanitário e político na região, que continua em constante tensão.


