Recuperação da Casas Bahia chama atenção, mas desafios macroeconômicos persistem
As ações da Casas Bahia (BHIA3) atingiram o ápice durante o boom do varejo na pandemia, chegando a ser negociadas a R$ 443 em meio ao crescimento acelerado do e-commerce e à taxa Selic no menor patamar histórico, 2% ao ano. No entanto, o cenário mudou drasticamente desde outubro de 2020, quando os papéis da varejista começaram a despencar e já acumulam uma queda de 99,8%. Atualmente, os papéis são negociados em torno de R$ 0,79, valor registrado no encerramento do pregão do dia 28 e mantido no dia seguinte.
O otimismo do passado deu lugar à cautela entre investidores diante do ambiente de juros elevados. A pressão da alta da Selic e a desaceleração do consumo impactaram os resultados financeiros da Casas Bahia, além de elevar o endividamento da empresa. Em 2024, a companhia recorreu a uma recuperação extrajudicial, concluída no final do ano anterior, para tentar reestruturar suas finanças.
Itaú BBA retoma cobertura e aponta avanços operacionais significativos
Recentemente, os analistas do Itaú BBA voltaram a acompanhar os papéis da Casas Bahia, destacando a “recente recuperação impressionante” da empresa. Apesar da recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 1, o potencial de valorização é estimado em 26% em relação ao último fechamento.
O banco ressalta que a varejista apresentou melhorias operacionais importantes, especialmente no avanço da margem Ebitda, que passou de aproximadamente 0,6% em 2023 para 5,3% no primeiro trimestre de 2026. Esse aumento evidencia maior eficiência e rentabilidade na operação da empresa.
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Estratégias que impulsionam a recuperação da varejista
Entre as medidas que contribuíram para essa evolução, destacam-se a revisão do mix de produtos, a otimização da rede de lojas físicas com o fechamento de unidades menos produtivas e o fortalecimento do negócio de crédito próprio, o Casas Bahia Pay. Além disso, a parceria com grandes marketplaces como Mercado Livre (MELI34), Amazon (AMZO34) e Shopee (S2EA34) tem ampliado o alcance da marca e atraído novos consumidores para os canais digitais.
O comércio eletrônico da Casas Bahia cresceu 27,4% no primeiro trimestre em comparação ao ano anterior, atingindo R$ 3,2 bilhões. As vendas pelos marketplaces já representam mais de 5% do total da empresa e 10% das vendas online, gerando cerca de R$ 2 bilhões por ano. Essa estratégia não só aumenta a rentabilidade imediata, como também fortalece a posição competitiva da varejista, tornando mais difícil para concorrentes replicarem o modelo.
Redução da dívida e melhora no fluxo de caixa
Outro avanço importante para a Casas Bahia foi a recuperação extrajudicial, que permitiu a redução da dívida em R$ 3 bilhões entre 2024 e 2025. Essa reestruturação melhorou o balanço da empresa e reduziu o risco de crédito, resultando em benefícios práticos, como um prazo adicional de 30 dias para pagamento a fornecedores, aliviando os custos operacionais diários.
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O calcanhar de Aquiles: o cenário macroeconômico
Apesar dos avanços, a Casas Bahia enfrenta desafios estruturais ligados ao ambiente econômico. O principal deles é o impacto dos juros altos sobre a demanda por produtos de maior valor agregado, como móveis e eletrodomésticos, que dependem fortemente do crédito ao consumidor. O aumento da taxa Selic dificulta o acesso ao crédito e reduz o consumo desses itens.
Além disso, a carteira de crédito da empresa enfrenta limitações de crescimento e um risco maior de inadimplência, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. O Itaú BBA classifica a Casas Bahia como uma das empresas mais sensíveis às variações da taxa de juros, estimando que cada ponto percentual de alteração na Selic impacta em R$ 200 milhões no fluxo de caixa livre da varejista.
Para 2026, a projeção do banco indica um prejuízo líquido de R$ 2,2 bilhões para a companhia. Os resultados do segundo trimestre serão divulgados em 12 de agosto, após o fechamento do mercado, e os analistas recomendam acompanhar atentamente esses números para entender o rumo da recuperação da Casas Bahia.

