Fábrica da Bahia Retoma Atividade
Janeiro é um mês marcante para a indústria de fertilizantes no Nordeste, com a fábrica de fertilizantes nitrogenados da Bahia (Fafen-Ba) prestes a reiniciar suas operações. Após a conclusão da manutenção no mês passado, a unidade, localizada em Camaçari, está em fase de comissionamento, com previsão de produzir ureia até o final deste mês, conforme informações divulgadas pela Petrobras.
A estrutura da fábrica tem capacidade para produzir até 1.300 toneladas diárias de ureia, o que representa cerca de 5% do total do mercado brasileiro. Além disso, a operação abrange os Terminais Marítimos de Amônia e Ureia no Porto de Aratu, em Candeias, ampliando a capacidade de distribuição e abastecimento.
Unidade em Sergipe Também em Operação
Enquanto a fábrica da Bahia se prepara para reiniciar a produção, a unidade localizada em Laranjeiras, Sergipe, já iniciou a fabricação de ureia no dia 3 de janeiro. Este empreendimento, que já estava produzindo amônia desde 31 de dezembro, tem uma capacidade de 1.800 toneladas diárias, correspondendo a 7% do mercado nacional de ureia.
Com a operação conjunta das duas fábricas, a Petrobras espera atender a uma parte significativa da demanda nacional por fertilizantes, produzindo não apenas ureia, mas também amônia e ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo). Os investimentos iniciais para cada uma das unidades somam R$ 38 milhões e já resultaram na criação de 1.350 empregos diretos e 4.050 indiretos.
Expectativa de Crescimento no Setor
De acordo com William França, diretor de Processos Industriais e Produtos da Petrobras, as fábricas da Fafen, juntamente com a Araucária Nitrogenados S.A (ANSA), localizada no Paraná, serão responsáveis por suprir 20% da demanda de ureia no Brasil. A expectativa é que a produção nacional de ureia atinja 35% nos próximos anos, especialmente com a construção de uma nova planta no Mato Grosso do Sul.
A produção de fertilizantes nitrogenados desempenha um papel crucial na recuperação dos insumos estratégicos para o agronegócio nacional, fornecendo ureia para a agricultura e até mesmo para a alimentação de ruminantes. Essa produção também poderá beneficiar setores industriais como têxtil, tintas e papel e celulose.
Histórico e Desafios da Fábrica
Vale ressaltar que a fábrica da Petrobras foi desativada em março de 2018, em um movimento que fazia parte do plano de desinvestimentos da estatal. Na ocasião, a empresa citou a falta de competitividade e altos custos operacionais como razões para o fechamento.
Em novembro de 2021, houve uma tentativa de reabertura da Fafen, que gerou expectativa de 500 novos empregos. No entanto, em 2020, a unidade foi vendida para o Grupo Unigel, que investiu cerca de R$ 95 milhões. O contrato com o grupo foi encerrado em 2023, resultando em mais uma fase de inatividade para a fábrica.


