Roney George Leva a Cultura Baiana ao Cenário Internacional
A rica cultura do sertão baiano e as tradições do Recôncavo agora têm um novo espaço de destaque no mundo da arte. O artista plástico Roney George é um dos protagonistas da exposição coletiva que abre as portas do novo espaço da Art in Brackets, situado no vibrante bairro de TriBeCa, em Nova York, nesta sexta-feira (13). A mostra é uma oportunidade única para explorar o intercâmbio artístico e histórico entre o Brasil e a África.
Nascido em Itapetinga, no sudoeste da Bahia, e graduado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Roney traz para a metrópole referências profundas da cultura sertaneja, incluindo a emblemática figura dos caboclos de couro. Para ele, apresentar essa estética ao público nova-iorquino se configura como uma troca cultural enriquecedora.
“Percebo que todas as relações que temos com os caboclos, com a manipulação e a tecnologia do couro, são influenciadas por outras partes do mundo; tudo está interconectado. Ao apresentar esta perspectiva baiana em Nova York, faço com que a cidade também veja as coisas que estamos criando. Isso é positivo tanto para Nova York quanto para nós”, afirmou George em uma entrevista ao Alô Alô Bahia.
A exposição coletiva rompe as barreiras entre arte contemporânea, design e artesanato, ressaltando a estética da diáspora africana e a materialidade cultural. O trabalho de Roney se alinha diretamente a essa proposta, pois transforma memórias ancestrais em uma linguagem visual contemporânea.
“A África é nosso berço, não só da Bahia ou do Brasil, mas do mundo. Tenho uma conexão muito profunda com isso, especialmente por ser baiano e dialogar com essas estéticas. Busco trazer essa memória e transformá-la em proposta, pensamento e afirmação sobre o que considero importante no mundo”, explicou o artista, que navega com desenvoltura entre pintura, desenho, ilustração e muralismo.
Estar presente na Art in Brackets representa a coroação de uma trajetória que começou no interior baiano e se expandiu em Salvador. A mudança para a capital baiana intensificou a investigação de Roney sobre os contrastes entre o sertão e a vida urbana, além de favorecer seu autoconhecimento.
“Ser de Itapetinga é essencial, porque foi lá que aprendi a ver o mundo e a me entender como artista. Minha transição para Salvador foi como a confirmação de crenças que já tinha, mas também me proporcionou aprendizados sobre mim mesmo, especialmente em relação à minha negritude”, refletiu George.
O artista celebra o momento especial da sua carreira na vitrine internacional: “É uma honra fazer parte disso, vir de Itapetinga e participar dessa inauguração em Nova York, especialmente em um período em que as pessoas estão cada vez mais sensíveis aos novos acontecimentos do mundo”.
O novo espaço da Art in Brackets ocupa um edifício histórico na 46 Walker Street, marcando a chegada da consultoria de arte a um bairro considerado a nova meca das galerias em Nova York. Além de Roney George, a exposição também conta com a participação de artistas renomados, como o baiano Adriano Machado, Maxwell Alexandre e Panmela Castro.


