Investimento em Silvicultura de Espécies Nativas
Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em colaboração com o Parque Científico e Tecnológico do Sul da Bahia (PCTSul) e a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, anunciou uma parceria significativa voltada ao fortalecimento do setor florestal no Brasil. Com um investimento total de R$ 24,9 milhões, o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento em Silvicultura de Espécies Nativas (PP&D-SEN) busca promover práticas sustentáveis no manejo de florestas nativas, especialmente nas regiões da Mata Atlântica e Amazônia. O lançamento do programa ocorreu em um evento no Rio de Janeiro (RJ) na última terça-feira (17/3), marcando um momento crucial para o desenvolvimento sustentável do país.
Durante o evento, realizado na sede do BNDES, foram discutidos os objetivos e as metas do programa, que incluirá a implementação de 14 sítios de pesquisa ao longo dos próximos cinco anos. A iniciativa deve envolver 30 espécies nativas, refletindo uma abordagem voltada à inovação e à preservação do meio ambiente.
Coordenadores e Instituições Colaboradoras
A coordenação do programa será compartilhada entre a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), que terá a responsabilidade pelas ações na Mata Atlântica, e a Embrapa, que ficará encarregada da execução na Amazônia. A Fundação de Apoio Institucional ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FAI) terá a responsabilidade pela gestão financeira, administrativa e logística da iniciativa. Outras instituições acadêmicas e privadas poderão se juntar ao projeto, contribuindo para um esforço mais amplo em prol da silvicultura de espécies nativas.
Nabil Kadri, superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, enfatizou durante sua fala a importância que a valorização das florestas nativas tem para o banco. Desde 2023, o BNDES desenvolveu uma plataforma robusta, chamada BNDES Florestas, que reúne recursos financeiros e parcerias estratégicas. “Apenas nos últimos três anos, mobilizamos R$ 7 bilhões, prevendo a criação de 70 mil empregos e o plantio de mais de 280 milhões de árvores”, destacou Kadri, revelando as ambições do banco em tornar o Brasil referência em silvicultura sustentável.
Perspectivas e Desafios do PP&D-SEN
Targino de Araújo Filho, diretor da FAI-UFSCar, comentou sobre a relevância do financiamento do BNDES para o PP&D-SEN, apontando que o Brasil, atualmente responsável por apenas 10% da produção mundial de madeira tropical, pode ver sua participação aumentar significativamente. “Nosso objetivo é garantir que pesquisadores se dediquem integralmente ao desenvolvimento do programa”, afirmou. Na sequência, a gerente-executiva da Coalizão, Carolle Alarcon, ressaltou a transformação que o PP&D representa, propondo uma mudança de foco de uma agenda potencial para uma implementação efetiva. Ela alertou sobre a necessidade de um marco regulatório robusto e maior integração com políticas públicas que envolvam outros ministérios, como os de Agricultura e Desenvolvimento Agrário.
A primeira fase do programa foi iniciada em 2023, com uma doação de US$ 2,5 milhões do Bezos Earth Fund. A diretora associada de Restauração de Paisagens do fundo, Emily Averna, afirmou que a iniciativa brasileira está em um ponto de convergência entre pesquisa e inovação, podendo servir como modelo para outras nações. “Planejamos apoiar mais empresas nesse ecossistema e fortalecer as cadeias produtivas nos próximos anos”, completou.
Benefícios da Silvicultura de Espécies Nativas
O setor florestal brasileiro possui um potencial significativo, especialmente considerando que as madeiras das espécies nativas são altamente valorizadas globalmente. Apesar de a exploração das florestas primárias ainda dominar o mercado, o cultivo e manejo de espécies nativas está em expansão, com vastas áreas de pastagens degradadas no Brasil que podem ser convertidas em plantios sustentáveis. Espécies como cumaru, andiroba, ipê e jacarandá são algumas das que têm sido identificadas como promissoras para essa iniciativa.
O objetivo a longo prazo é que a silvicultura de espécies nativas não apenas ganhe escala, mas também se torne uma atividade central na produção sustentável de madeira tropical, contribuindo para as metas de restauração do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.


