Uma Emocionante Trajetória de Sonhos e Desafios
O filme “Sonho de Arrocha” traz para as telonas uma narrativa envolvente sobre sonhos, música e a rica identidade da Bahia. Produzido pela Gran Maître Filmes em parceria com a TV Bahia, o longa-metragem narra a jornada de Biel (Gui Nery), um garoto de 12 anos com o desejo ardente de se tornar o maior cantor de arrocha do Brasil. Porém, sua trajetória não será fácil, pois ele enfrenta obstáculos dentro da própria família para realizar esse sonho.
A ambientação, que se passa na Bahia, é reforçada pelo elenco completamente local, ressaltando elementos como fé, vínculos familiares e a força da cultura popular. A obra foi filmada em 2025, refletindo a autenticidade e a diversidade da região.
O que é um telefilme? Para quem não está familiarizado, um telefilme é uma produção audiovisual de ficção com duração de longa-metragem, geralmente superior a 60 minutos, feita para estrear em canais de TV ou plataformas de streaming, em vez de cinemas. “Sonho de Arrocha” é um exemplo perfeito desse formato que busca alcançar uma audiência ampla.
A Luta de Biel em Busca do Sonho
Na trama, Biel vive com sua mãe, Rosa, e sua avó, Joaquina. A reviravolta acontece quando ele descobre que um artista famoso realizará um show em seu bairro, e, junto com seu melhor amigo, elabora um plano para assistir à apresentação clandestinamente. Contudo, seus planos são frustrados antes que ele possa vivenciar esse momento tão aguardado.
Marcos Alexandre, o diretor do filme, compartilhou que a ideia para a produção nasceu de suas lembranças pessoais com o gênero musical arrocha em sua infância. “Nasci em Salvador e cresci na região metropolitana, em Vila de Abrantes, que fica muito perto de Candeias”, explicou o cineasta em uma entrevista ao g1. Candeias é amplamente reconhecida como o berço do ritmo baiano que influenciou a vida de muitos artistas locais.
“O arrocha de Nara Costa, Silvanno Salles, Tayrone Cigano sempre esteve presente na minha vida. Queria contar uma história que refletisse o que é ser baiano e que, de certa forma, dialogasse com a vida da família negra e periférica de Salvador”, acrescentou Marcos, evidenciando a importância cultural da obra.
Desafios na Construção da Narrativa
Um dos principais desafios enfrentados pela equipe foi equilibrar os diversos elementos da narrativa, incluindo a música, a religião e os conflitos familiares. “Buscamos apresentar uma família evangélica, enfatizando até o arrocha gospel para mostrar essa fusão”, destacou o diretor. A intenção era construir uma família unida e saudável, equilibrando os desejos de Biel com o ambiente ao seu redor.
Gui Nery, o jovem ator que interpreta Biel, faz sua estreia como protagonista em um longa-metragem. Com apenas 11 anos, ele compartilhou sua conexão com o personagem: “Ele também ama arrocha, é travesso, mas tem suas diferenças em relação a mim. Foi muito interessante conviver com a família do personagem e seu amigo”, disse Gui, que já possui experiência em teatro, publicidade e curtas-metragens.
O jovem não precisou de aulas de canto para interpretar seu primeiro papel principal. “Escolhi a música para o teste, uma canção de Nadson O Ferinha e, felizmente, tudo fluiu muito bem”, comemorou.
A Importância da Produção Local
Marcos Alexandre ressaltou a importância de que o filme fosse totalmente produzido na Bahia, com uma equipe e elenco locais. “Para mim, como realizador, é um sonho. Lutar para produzir filmes e realizar um projeto desse porte, com talentos da nossa terra, é essencial para fortalecer o audiovisual baiano”, afirmou o diretor.
Outro aspecto que Marcos se preocupou foi evitar estereótipos, optando por mostrar uma família periférica sem o estigma comum de escassez. “Com um elenco local, não houve necessidade de forçar sotaques ou comportamentos. Queríamos mostrar a dignidade e a organização da vida dessa família”, frisou.
Com sua estreia marcada para o dia 30 de março, durante a Tela Quente da TV Globo e também no Cine BBB, a obra representa um passo significativo na carreira de todos os envolvidos. “Cresci assistindo à Tela Quente. Poder contar uma história para o Brasil inteiro é um momento muito especial, de gratidão e felicidade”, concluiu o diretor.


