Operação Bandeira Branca Contra a Violência nas Torcidas
Na madrugada desta quarta-feira (4), sete integrantes da torcida organizada Bamor foram presos e três adolescentes apreendidos em Salvador, durante uma operação coordenada pela Polícia Civil da Bahia (PCBA). Batizada de “Operação Bandeira Branca”, a ação investiga uma tentativa de homicídio qualificado ocorrida em janeiro na capital baiana, em um momento que antecede o clássico Ba-Vi, agendado para a final do Campeonato Baiano.
A ofensiva é parte de um esforço maior para coibir a violência relacionada a torcidas organizadas e se concentra em mandados de prisão temporária, buscas e apreensões domiciliares, além da internação provisória de adolescentes. As ordens judiciais foram cumpridas em diversos bairros de Salvador, incluindo Fazenda Grande, Mussurunga, Pau da Lima, Itapuã e Águas Claras, bem como em cidades vizinhas como Feira de Santana e São Félix. A sede da torcida Bamor também foi alvo de buscas, reforçando a intenção das autoridades de desmantelar núcleos de violência.
A investigação se iniciou em decorrência de um incidente que ocorreu no dia 17 de janeiro de 2026, na Avenida São Rafael, onde um grupo de torcedores cercou e agrediu violentamente as vítimas, utilizando socos, chutes e até armas brancas. A tentativa de homicídio chamou a atenção das autoridades, levando à identificação dos suspeitos por meio de diligências realizadas pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), com o apoio do Departamento de Polícia Técnica.
A PCBA destacou que a investigação contou com exames periciais e o uso de tecnologia avançada, como ferramentas de busca e comparação facial automatizada, para analisar imagens captadas no momento das agressões. O trabalho conjunto entre as unidades especializadas da Polícia Civil e a Polícia Militar, incluindo o Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos, tem sido fundamental para a execução da operação.
O objetivo da operação é desarticular grupos envolvidos em atos de violência, especialmente aqueles relacionados às torcidas organizadas, e aumentar a segurança pública em um momento crítico, como a final do Campeonato Baiano, marcada para o próximo sábado (7). A expectativa é que essa ação contribua para um ambiente mais seguro, tanto para os torcedores quanto para os demais presentes no evento.
Torcida Única Recomendada pelo Ministério Público
No início desta semana, o Esporte Clube Vitória havia formalizado um pedido à Federação Bahiana de Futebol, solicitando que a final do Campeonato Baiano contasse com a presença das duas torcidas. No entanto, essa solicitação não foi acatada.
O Ministério Público do Estado da Bahia manteve a recomendação de torcida única, e a entidade responsável pela competição decidiu seguir essa orientação. O clássico Ba-Vi, que será realizado neste sábado na Arena Fonte Nova, terá mando de campo do Bahia.
Em comunicado, o Ministério Público enfatizou que, com base nos elementos analisados, não foi encontrada comprovação suficiente para garantir a segurança do público em um cenário de torcida mista. O órgão ressalta a importância de que qualquer alteração no modelo de divisão do público deve ser fundamentada em critérios técnicos, assegurando a integridade física de todos os torcedores, trabalhadores e envolvidos na realização da partida.
Essa decisão reflete a preocupação contínua com a segurança em eventos esportivos, especialmente em um contexto onde a violência entre torcidas se torna cada vez mais frequente. A expectativa é que o clássico aconteça em um clima de paz, permitindo que os torcedores desfrutem do espetáculo do futebol sem riscos à segurança.


