A polêmica sobre a torcida mista
O tema da presença de torcedores de ambos os times em clássicos baianos voltou a ser discutido após a classificação do Vitória para a final do Campeonato Baiano. O presidente do clube, Fábio Mota, anunciou que enviaria um ofício à Federação Bahiana de Futebol (FBF) solicitando a volta da torcida mista para a decisão. O Portal A TARDE confirmou que o documento já foi encaminhado à federação.
“Este ano, o campeonato passou por mudanças. Teremos apenas um Ba-Vi na final. E, por ser um jogo tão significativo, não é justo que apenas uma torcida esteja presente. No ano passado, tivemos a oportunidade de ver as duas torcidas juntas, e amanhã vamos solicitar, por meio do ofício, ao Ministério Público, ao Governo do Estado e à Secretaria de Segurança Pública que este Ba-Vi, por ser uma situação inédita, seja realizado com torcida mista. Acreditamos que, assim como vimos no carnaval, a segurança pode ser garantida para todos os envolvidos”, destacou Mota em suas declarações.
O que diz o Ministério Público da Bahia
A proibição da presença das duas torcidas em confrontos diretos entre Bahia e Vitória foi estabelecida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que atuou em conjunto com o Batalhão Especializado de Policiamento em Eventos (Bepe) da Polícia Militar. O MP se manifestou sobre a questão, afirmando que a possível volta da torcida mista deve ser condicionada à comprovação de que estão assegurados todos os protocolos de segurança e prevenção de violência.
“O Ministério Público da Bahia informa que a eventual retomada da torcida mista em eventos esportivos deve estar condicionada à comprovação, pelos órgãos responsáveis pela segurança pública e pela logística das partidas, de que todos os mecanismos e protocolos efetivos de prevenção e redução de riscos de violência estejam plenamente garantidos”, declarou um representante do MP-BA.
Além disso, a instituição sublinhou que qualquer análise deve ser feita com base em critérios técnicos, priorizando sempre a integridade física dos torcedores e demais envolvidos. “O posicionamento dos órgãos especializados em segurança, como o Bepe, é fundamental para a avaliação do cenário, especialmente na ausência de uma recomendação favorável à alteração do modelo atual. O Ministério Público da Bahia seguirá monitorando a questão em diálogo com as autoridades competentes, sempre focado na preservação da segurança coletiva e em ações responsáveis”, completou.
O posicionamento do Bahia
Como mandante na final por ter feito a melhor campanha na fase classificatória, o Bahia mantém uma posição contrária ao retorno da torcida mista. De acordo com informações obtidas pelo A TARDE, o clube está em contato com as autoridades competentes sobre o assunto, mas reafirma seu posicionamento de que as condições que levaram à proibição anterior ainda se aplicam.
O Tricolor acredita que não houve mudanças comportamentais que justifiquem a volta das duas torcidas no clássico Ba-Vi. Até 2018, quando a restrição passou a valer, episódios de violência eram comuns nos dias das partidas, o que motivou a decisão das autoridades.
Posição da Federação Baiana de Futebol
A Federação Baiana de Futebol (FBF) também se pronunciou sobre o tema. Em entrevista ao Portal A TARDE, o presidente da entidade, Ricardo Lima, destacou que sua função é cuidar do futebol, enquanto as decisões sobre segurança são de competência das autoridades locais.
“A Federação cuida sempre do futebol. As questões de segurança pública são de responsabilidade da SSP e da Polícia Militar do nosso estado. Estamos sempre abertos ao diálogo com o Ministério Público para entender o que é melhor para o futebol baiano e para a sociedade. A Federação acatará as diretrizes que forem determinadas”, afirmou Lima.
A reportagem ainda está aguardando posicionamento da Polícia Militar sobre o assunto e se compromete a atualizar a matéria assim que houver novas informações.


