Eficácia do Tratamento Intensivo
Um novo estudo revelou que o tratamento hospitalar para obesidade grave se mostra mais eficaz do que o uso de canetas emagrecedoras, como a Semaglutida, presente no medicamento Ozempic. Segundo a pesquisa, que analisou pacientes do Hospital da Obesidade e foi publicada na respeitada revista PLOS ONE, a redução de peso em 24 semanas variou de 20% a 22%, superando a perda de 15% observada no grupo que utilizou o medicamento ao longo de 68 semanas.
Além de passar à frente da Semaglutida, o tratamento intensivo demonstrou também resultados melhores do que a Tirzepatida, do medicamento Mounjaro, que alcançou uma redução de 21% em 72 semanas. Os pacientes internados seguiram uma dieta de baixas calorias e implementaram mudanças significativas em seu estilo de vida, resultando em quedas drásticas no peso, na gordura corporal e nos riscos cardiovasculares.
Preservação da Massa Muscular
Um dos destaques da pesquisa foi a preservação da massa muscular durante o tratamento hospitalar. A análise mostrou que apenas 12% do peso perdido pelos pacientes internados correspondia a massa magra, em contrapartida, 33% dos pacientes que usaram Semaglutida e 25% dos que utilizaram Tirzepatida perderam massa muscular. Os dados indicam uma perda de massa muscular significativamente maior nos grupos que utilizaram as canetas emagrecedoras, atingindo 10% no uso de Ozempic e 11% com Mounjaro.
O médico endocrinologista Cristiano Gidi, coordenador do Hospital da Obesidade, ressaltou que a perda de massa magra nos pacientes internados foi 13 vezes menor em comparação à perda de gordura. Ele explica que em tratamentos não supervisionados, a perda de peso tende a afetar tanto a gordura quanto a massa muscular de maneira proporcional, o que não ocorre com a abordagem intensiva.
Abordagem Multidisciplinar como Chave do Sucesso
A abordagem multidisciplinar adotada no Hospital da Obesidade permite um suporte nutricional adequado e exercícios físicos personalizados, que são fundamentais para a preservação da massa muscular durante o emagrecimento. Gidi afirma que, ao contrário de métodos isolados, a combinação de dietas e atividades físicas específicas, ajustadas para cada paciente, garante a perda de gordura sem comprometer a massa magra.
Embora Gidi reconheça a importância das canetas emagrecedoras, ele avisa que não são soluções milagrosas. O uso deve ser sempre acompanhado por profissionais da saúde para evitar a perda de massa muscular, um fator crucial para a qualidade de vida no envelhecimento. O uso dessas medicações é considerado pontual e deve ser integrado a um plano alimentar e de exercícios.
O médico também observa que, em alguns momentos do tratamento, ele recomenda que seus pacientes deixem de usar as canetas para focar em uma alimentação saudável e em maior atividade física, evidenciando a complexidade do tratamento da obesidade.
Resultados e Melhoria dos Marcadores Metabólicos
Os resultados do estudo não apenas demonstraram uma perda de peso significativa, mas também melhorias em marcadores metabólicos, como glicose e colesterol, além de uma redução em indicadores inflamatórios. Homens e pacientes mais jovens apresentaram resultados mais rápidos, mas a eficácia do modelo multidisciplinar se mostrou eficaz para todas as idades e gêneros.
Pacientes com menos de 60 anos reduziram o peso e o IMC em mais de 21%, enquanto os idosos alcançaram 19,8% de redução, preservando melhor a massa muscular. O estudo foi realizado pelo Hospital da Obesidade, em Camaçari, e pelo Departamento de Ciências da Vida da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), utilizando dados de 1.151 pacientes entre 2016 e 2022. Após a exclusão de pacientes com dados incompletos, a análise final incluiu 856 indivíduos.
A pesquisa confirma que o tratamento intensivo é uma estratégia promissora para a perda de peso saudável, enfatizando a importância da abordagem transdisciplinar para garantir resultados eficazes e sustentáveis no combate à obesidade.


