Denúncia sobre Ambulância do SUS em Propaganda Comercial
O Conselho Estadual de Saúde da Bahia (CES-BA) encaminhou uma denúncia ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) sobre o uso indevido de uma ambulância do Sistema Único de Saúde (SUS). O órgão solicitou a intervenção do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Saúde (Cesau) para investigar a utilização do veículo em uma campanha publicitária em Gongogi, no sul do estado.
A denúncia ganhou destaque após surgir nas redes sociais um vídeo onde uma ambulância do SUS era utilizada em uma encenação de atendimento a uma gestante, com a finalidade de promover e vender um produto. O CES-BA destacou em nota oficial que, caso se prove a veracidade da situação, essa prática é extremamente grave e desrespeitosa para com a população. O conselho enfatiza que veículos destinados à saúde têm a função de atender pacientes e não podem ser usados para fins comerciais.
O presidente do CES-BA, Marcos Gêmeos, ressaltou a seriedade do ocorrido. “Quando um bem público do SUS é utilizado para fins comerciais, não estamos apenas diante de uma irregularidade administrativa, mas de uma falta de respeito com a população que depende desses serviços públicos de saúde. Não podemos nos calar diante de atitudes que desviam a finalidade de um equipamento que existe para atender quem mais precisa”, afirmou.
Importância da Ambulância do SUS e Consequências do Uso Indevido
As ambulâncias do SUS são bens públicos com uso restrito, destinadas exclusivamente à prestação de serviços de urgência e emergência. Seu desvio para promoção e comércio não apenas fere o interesse coletivo, mas também atenta contra o patrimônio público. Em casos onde haja participação ou omissão de agentes públicos, tal conduta pode ser considerada, em tese, como ato de improbidade administrativa, conforme prevê a Lei nº 8.429/1992.
Diante da gravidade dos fatos, o CES-BA solicita uma série de ações ao Ministério Público, incluindo:
- A instauração de um Inquérito Civil para apuração minuciosa dos acontecimentos;
- A identificação de todos os agentes públicos e particulares envolvidos;
- A investigação sobre a eventual prática de improbidade administrativa;
- A adoção das medidas judiciais e extrajudiciais necessárias;
- A implementação de ações preventivas para proteger o patrimônio público da saúde;
- A retratação pública formal da empresa e do ente municipal à população.
Essas medidas visam não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também garantir que a utilização dos recursos públicos respeite a sua verdadeira finalidade: a proteção e a salvaguarda da saúde da população. O caso levanta um alerta sobre a importância da vigilância no uso de recursos destinados à saúde, reforçando a necessidade de um compromisso ético por parte de todos os envolvidos na gestão desses bens.
Reflexão sobre o Uso de Recursos Públicos
Esse episódio traz à tona uma reflexão crucial sobre a utilização de recursos públicos em nossa sociedade. A responsabilidade no uso do patrimônio da saúde é um dever que deve ser compreendido e respeitado por todos os cidadãos e gestores públicos. O correto uso dos bens do SUS é fundamental para assegurar que aqueles que mais precisam do sistema de saúde tenham acesso ao atendimento adequado e em tempo hábil.
O que ocorreu em Gongogi é um exemplo de como a falta de ética e de fiscalização pode levar à exploração indevida de recursos que deveriam ser utilizados para salvar vidas. Para garantir que tragédias como essa não se repitam, é essencial que a sociedade se mantenha atenta e que as autoridades atuem com rigor diante de qualquer desvio de conduta relacionado ao uso de bens públicos.


