Uma Semana de Artes em Salvador
O Centro Histórico de Salvador (CHS) pulsa criatividade durante o Verão das Artes, uma iniciativa promovida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb). Nesta estação tão emblemática para a capital baiana, o público, composto por baianos e turistas, tem a chance de vivenciar performances de dança, teatro e exibições de curtas e longas-metragens, tudo isso de forma gratuita. A programação tem se mostrado um grande atrativo, satisfazendo os amantes das artes cênicas.
As atividades começaram em 26 de janeiro (segunda-feira), no Largo Tereza Batista, com um animado aulão de pagode baiano conduzido pelo renomado professor e coreógrafo Dhan Imperador. Com formação pela Funceb e foco em swing afro baiano, Dhan traz à tona a rica cultura brasileira. “Cultura é isso, trazer alegria e prazer, ver o público entendendo o pagode como uma dança que vem da periferia. Que venham mais eventos!”, enfatizou o artista.
Entre os participantes, Claudia Almeida, residente de Salvador, destacou a sintonia do projeto com a vibrante identidade local: “É maravilhoso! Aqui já entro no clima do Carnaval”. Por sua vez, Cristiane Conceição elogiou a iniciativa: “É uma experiência inovadora em Pelourinho, acessível a todos, independente de classe ou cor. Parabéns a essa proposta que se alinha perfeitamente com o verão de Salvador”.
Teatro e Interatividade: A Pombagem Brilha
Na quarta-feira, 28 de janeiro, o coletivo A Pombagem trouxe uma proposta interativa ao Largo Tereza Batista com a apresentação de O Museu é a Rua. O grupo, originário da Fazenda Grande do Retiro, emocionou o público ao convidar todos a conhecer as histórias de músicos e filósofos, como Walter Smetack e a etnomusicóloga Emília Biancardi, através de fotos expostas. “É uma alegria imensa ver o nosso trabalho ecoando na cidade, buscando sempre a diversidade e rompendo com as barreiras entre periferia e centro”, destacou Fabrício Silva, coordenador e diretor do coletivo.
Na quinta-feira (29), os olhares se voltaram para a Sala de Cinema Walter da Silveira, onde foi exibido o curta Vadiação, de Alexandre Robatto, realizado em 1954. O filme, em preto e branco, aborda a origem da capoeira e sua importância como forma de resistência frente à repressão à população negra na época. Após isso, os espectadores puderam conferir o longa-metragem Receba!, de 2024, dirigido por Pedro Perazzo e Rodrigo Luna, que conta a trama de uma caçada por dinheiro no submundo de Salvador, trazendo um elenco de peso com Edvana Carvalho, Jackson Costa e Evelin Buchegger.
Cinema Infantil: Uma Experiência Transformadora
Na sexta-feira (30), o público infantil tomou conta da Sala de Cinema Walter da Silveira. As crianças se divertiram com A menina que queria voar, um curta de Taís Amor Divino, e A professora de música, longa-metragem de Edson Bastos e Henrique Filho. Ambas as produções abordam temas como sonhos e a busca por desejos muitas vezes negados a crianças, especialmente as negras, tocando profundamente o coração dos pequenos espectadores.
A estudante Melissa Nascimento, de 14 anos, que frequenta a Biblioteca Central do Estado, compartilhou sua emoção ao ver a sua história refletida na tela. “A parte que mais amei foi quando a professora disse que o cabelo da menina era lindo. Me sentí representada, já passei pela mesma situação de soltar meu cabelo na escola e ser elogiada”, contou.
Larissa Sales, professora presente na sessão, trouxe à tona suas lembranças da infância em Ipiaú, local onde se passa A professora de música. “A história é linda e quebra o estigma de que no interior não há arte. Realmente, é uma sensação de estar em casa, reconhecendo a cidade e sua cultura”, afirmou, visivelmente emocionada.
Encerramento com Alegria no Largo Pedro Archanjo
Para fechar a semana com chave de ouro, no dia 1 de fevereiro (domingo), Maria Minhoca, da Cia. Cuca de Teatro, encantou famílias e crianças com a história de uma jovem que deseja casar com Chiquinho Colibri, enfrentando a oposição de seu pai. Eder Fernandes, que levou suas duas filhas ao evento, aprovou a experiência. “Elas adoraram e ficaram atentas à história”, conta. A filha mais velha, Andressa, de 9 anos, também comentou: “Gostei muito da Maria Minhoca, é bem engraçada e bonita”. O Verão das Artes, sem dúvida, proporciona uma imersão na cultura local, fortalecendo laços e celebrando a diversidade na Bahia.


