Desafios Persistentes e Violência de Gênero
O mês de março é reconhecido como um período de luta pela defesa dos direitos das mulheres. Mais do que simples homenagens, essa época convida à reflexão sobre os enormes desafios que ainda enfrentamos para assegurar dignidade, igualdade e, fundamentalmente, o direito à vida.
No Brasil, os índices de violência de gênero são alarmantes. O país ocupa a quinta posição no ranking mundial de feminicídios, com uma média de quatro mulheres assassinadas diariamente. Em 2025, registrou-se um total de 1.518 vítimas, o maior número desde o início das estatísticas. Além disso, os dados indicam que um estupro acontece a cada seis minutos no país.
Violência Sem Fronteiras
O feminicídio é uma realidade que não respeita fronteiras sociais, raciais ou ideológicas. Esse tipo de violência pode afetar desde uma operária até uma policial, passando por professoras, estudantes e trabalhadoras informais. A violação dos direitos das mulheres se estende por todas as classes sociais e regiões, revelando a necessidade urgente de avançarmos na construção de uma cultura de respeito e igualdade.
Nos anos recentes, observou-se que essa violência também tem assumido novas facetas. Discurso de ódio e misoginia proliferam nas redes sociais, incentivados por grupos que buscam normalizar a desvalorização das mulheres. Dentre eles, destaca-se o movimento “red pill”, que propaga ideias de ressentimento e hostilidade, fomentando comportamentos agressivos e violentos.
Consequências e Casos Brutais
Esse ambiente de radicalização gera consequências palpáveis. Recentemente, um caso chocante de estupro coletivo expôs a crueza da violência de gênero e a urgência de construirmos uma cultura de respeito e dignidade.
É imprescindível que o Brasil ponha fim à epidemia de violência contra as mulheres. O país conta com um robusto arcabouço legal, incluindo a Lei Maria da Penha, e é fundamental implementar uma campanha de CUMPRA-se, uma vez que muitas dessas leis estão sendo desrespeitadas.
Iniciativas para Política de Proteção
Durante meu mandato, tenho me empenhado em fortalecer políticas públicas voltadas para a proteção das mulheres. Fui autora da lei que assegura licença maternidade para estudantes de pós-graduação e relatora da Lei Mariana Ferrer, que protege vítimas de crimes sexuais durante os julgamentos. Adicionalmente, criei a lei que proíbe revistas íntimas de mulheres nos ambientes de trabalho, além de projetos que fundamentaram a Lei da Igualdade Salarial entre homens e mulheres em funções equivalentes.
Atualmente, como presidenta da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, continuo lutando pelo fortalecimento da rede de proteção às mulheres, buscando aumentar o orçamento para políticas públicas e ações preventivas que integrem educação, assistência social e segurança pública.
Um Compromisso Coletivo
A defesa da vida das mulheres deve ser uma prioridade em termos nacionais. Combater o feminicídio e todas as formas de violência de gênero é um compromisso que requer a mobilização do Estado e de toda a sociedade brasileira. Somente assim seremos capazes de garantir que todas as mulheres possam viver com dignidade, respeito e igualdade.


