Um Compromisso com a Alfabetização na Bahia
No último sábado, 24, o Dia Internacional da Educação trouxe à tona discussões cruciais sobre a alfabetização das crianças na Bahia, um dos pilares da política educacional do estado. A Lei nº 25.668, sancionada em agosto de 2025, lançou o Programa Bahia Alfabetizada, uma estratégia voltada para estreitar a colaboração entre o Governo do Estado e os 417 municípios baianos.
Desde sua criação, o programa tem promovido encontros com prefeitos, secretários de Educação e representantes de instituições como o Ministério Público e tribunais de contas. A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) informou que todos os municípios do estado aderiram formalmente à iniciativa, evidenciando a unidade em prol da educação.
Ações e Investimentos em Alfabetização
O programa já contabiliza ações significativas, como a distribuição de mais de 350 mil livros destinados a auxiliar as crianças no aprendizado da leitura e da escrita, representando um investimento de aproximadamente R$ 6 milhões. Além disso, foram realizados ciclos formativos para capacitar educadores em metodologias eficazes de alfabetização, essencial para garantir a qualidade do ensino.
De acordo com Manoel Calazans, assessor especial da SEC, embora a responsabilidade pela alfabetização recaia sobre os municípios, o impacto dessa ação se reflete em toda a trajetória educacional dos alunos, especialmente no Ensino Médio. “O Ensino Fundamental e a Educação Infantil são atribuições do município. O estado, por sua vez, acolhe esses alunos no Ensino Médio, onde se exige um histórico escolar consolidado”, afirma Calazans.
Colaboração entre Setores
O diferencial do Programa Bahia Alfabetizada reside na articulação entre diversos setores da sociedade. Calazans destaca que a força do programa é resultado de uma mobilização institucional significativa que envolve a União dos Municípios da Bahia, a Undime, o Ministério Público e a Defensoria Pública. “O governador fez um grande apelo para que toda a sociedade se engaje nesse processo”, ressalta, enfatizando o papel das universidades estaduais na formação contínua dos profissionais de educação.
Desafios no Cenário Municipal
Segundo a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação da Bahia (Undime Bahia), a Lei nº 25.668/2025 consolida o papel do Estado como suporte nas políticas de alfabetização, sem desmerecer o papel central dos municípios. Anderson Passos, presidente da Undime Bahia e secretário municipal de Educação de Aratuípe, discute os desafios enfrentados: “Há uma necessidade urgente de recompor as aprendizagens perdidas durante a pandemia, além de garantir apoio contínuo aos professores e a disponibilização de materiais adequados.”
Ele alerta que muitos municípios enfrentam limitações orçamentárias, complicando a ampliação das equipes técnicas e a realização de avaliações diagnósticas. “Nesse contexto, o apoio do Estado, por meio do Programa Bahia Alfabetizada, é crucial para promover equidade e fortalecer a capacidade dos municípios”, conclui Passos.
Uma Responsabilidade Coletiva
Manoel Calazans acrescenta que o Dia Internacional da Educação deve ser visto como um compromisso coletivo, abrangendo não apenas os educadores, mas toda a sociedade. O fórum de lançamento do projeto “Páginas de Aprendizado” está previsto para ocorrer em Salvador no dia 25 de fevereiro de 2026. O evento reunirá secretários municipais de Educação e incluirá uma apresentação detalhada das ações programadas para o ano, além de uma palestra sobre a importância da alfabetização na idade certa.
Calazans acredita que a parceria com o Grupo A TARDE ampliará o alcance das políticas educacionais. “Embora diferentes entidades estejam envolvidas, a meta é a mesma: construir um estado que não apenas alfabetize, mas que se preocupe com a educação integral de seus cidadãos”, enfatiza.
Fórum como Plataforma para o Diálogo
Para Anderson Passos, o fórum representa uma oportunidade valiosa para a troca de experiências e o fortalecimento das políticas públicas voltadas para a alfabetização. “Esse evento é crucial para discutir práticas bem-sucedidas e enfrentar os desafios compartilhados pelas redes municipais”, observa, destacando a importância do Programa Bahia Alfabetizada em respeitar as especificidades locais, ao mesmo tempo em que garante uma visão unificada sobre a educação.
O projeto “Páginas de Aprendizado” buscará integrar a educomunicação como um elemento chave na formação do processo alfabetizador. “Este projeto visa fortalecer as habilidades de leitura e escrita desde os primeiros anos de escolaridade, utilizando o jornal como um recurso pedagógico que une educação, comunicação e cidadania”, finaliza a gerente executiva do Programa A TARDE Educação, Andréa Silveira.


