Grandes Nomes do Varejo em Declínio
O cenário do varejo brasileiro passa por transformações marcantes, com sobrenomes conhecidos como Klein, Diniz e Hering deixando de liderar empresas que ajudaram a consolidar. Em 2025, diversas movimentações de mercado resultaram na saída de membros fundadores de importantes companhias desse setor, levando a uma reconfiguração do controle e da gestão.
Embora Michael Klein ainda mantenha sua posição como acionista relevante das Casas Bahia, a gestão da empresa não está mais sob seu domínio. Em 2024, a gestora de recursos Mapa Capital assumiu o controle total da rede, com suporte dos bancos que estavam envolvidos no processo de recuperação extrajudicial da companhia. Essa mudança marca um novo capítulo para uma das maiores redes de varejo do Brasil, fundada por seu pai, Samuel Klein, que fez história no setor.
Outro exemplo da descontinuidade da tradição familiar no varejo é o Pão de Açúcar. Em 2024, a empresa francesa Casino entregou o comando do negócio e, em 2025, o controle foi adquirido pela família Coelho Diniz, proprietária da rede de supermercados homônima. Essa troca de mãos, embora sem laços familiares diretos com os Diniz originais, indica uma nova fase para o Pão de Açúcar.
História e Mudanças na Hering
A Hering, uma marca que remonta ao século 19, também enfrentou mudanças significativas. Fundada em Blumenau (SC) em 1880, a empresa teve controle familiar por mais de 140 anos. No entanto, em 2025, Thiago Hering, o último CEO da família, deixou seu cargo após a venda da empresa ao grupo Azzas 2154, resultado da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma. Essa mudança sinaliza um afastamento definitivo da família Hering da gestão da marca.
Além disso, a família Dubrule, que criou a Tok & Stok, viu sua tentativa de recomprar a empresa, após tê-la vendido ao fundo americano Carlyle, fracassar entre abril e maio de 2025. O controle da marca foi posteriormente transferido para um grupo de gestoras de investimento, liderado pela GTF Capital. Essas movimentações refletem a volatilidade e os desafios enfrentados pelas empresas de varejo em tempos recentes.
Tendências e Futuro do Varejo
Conforme analisado por Marcos Gouvêa de Souza, diretor do Gouvêa Ecosystem, um processo evolutivo está em andamento, impactando o varejo em um nível profundo, principalmente devido à tecnologia, ao mundo digital e à crescente influência da inteligência artificial. Um exemplo interessante desse movimento é a operação da Nestlé com suas cápsulas de café Nespresso, que foram desenvolvidas para uso em máquinas específicas, criando um novo padrão de entrega de café.
O consultor Alberto Serrentino, da Varese Retail e BTR-Varese, aponta que o varejo brasileiro é predominantemente familiar e regional. Grupos como Mateus, Muffato, Supermercados BH e Pereira estão se destacando, mostrando que empresas familiares continuam a prosperar e inovar em suas gestões. “Novas gerações estão entrando e trazendo mudanças significativas”, destacou Serrentino.
Em um contraste marcante, várias empresas e grupos internacionais que tentaram se estabelecer no Brasil não obtiveram sucesso. Exemplos como Walmart, Casino e Gap representam como o varejo brasileiro é desafiador para quem não compreende suas particularidades. A experiência de empresas como Pão de Açúcar e Tok & Stok ilustra os riscos envolvidos na troca de controle, especialmente quando os fundadores se afastam.
Portanto, os eventos de 2025 marcam um período de transformação no varejo brasileiro, com o fechamento de ciclos familiares e a ascensão de novos modelos de gestão. A dinâmica do mercado continua em evolução, e o futuro das grandes marcas dependerá de sua capacidade de adaptação e inovação.


