Uma Festa de Cultura e Música
O Centro Histórico de Salvador foi palco de mais uma vibrante celebração da cultura baiana nesta quarta-feira (28). O dia começou com o Workshop Bahia Connection, que foca nas ricas tradições percussivas dos blocos afro. Os participantes trocaram conhecimentos e experiências, criando um ambiente único para a vivência musical. A programação também contou com apresentações de artistas locais, como Narcizinho e Gereba, além da intervenção teatral “O Museu é a Rua”, apresentada pelo Grupo de Arte Popular A Pombagem. Essa iniciativa faz parte do projeto ‘Verão na Bahia. Um Estado de Alegria’, promovido pelo Governo da Bahia, através da Secretaria de Cultura (Secult-BA), e segue até as vésperas do Carnaval.
No Largo Tereza Batista, o Workshop Bahamas Connection destacou a interconexão cultural, reunindo percussionistas de diversas partes do mundo que desejam aprender e respeitar as tradições afro-baianas na sua essência. Este intercâmbio reforça a relevância global da musicalidade da região, mostrando como as raízes culturais de Salvador conseguem atravessar fronteiras.
Mila Fuentes, uma das participantes do projeto e residente na Alemanha, falou sobre a importância dessa troca cultural. “Eu moro na Alemanha e, lá, busco transmitir um pouco da nossa cultura. O projeto Bahia Connection é uma iniciativa muito linda, que reúne gente de todo o mundo, como forma de expressar amor à musicalidade baiana”, contou, emocionada.
Narcizinho e Gereba: A Música que Encanta
À noite, o Largo Pedro Archanjo recebeu o talentoso cantor Narcizinho, que trouxe seu projeto “Narcizinho Afro’s”. Durante a apresentação, ele reforçou sua conexão com o Centro Histórico, onde construiu uma parte significativa da sua carreira artística. “Aqui é minha casa, onde vivo e toco muito com o Olodum, mas dessa vez trouxe para o público meu trabalho solo”, destacou Narcizinho, que fez uma performance marcante.
Em seguida, o cantor e compositor Gereba deu seguimento à programação no Largo Quincas Berro D’Água, encerrando a noite com um repertório que transitou entre clássicos da música popular brasileira e suas composições autorais. O show, intitulado “Cante Lá Que Eu Toco Cá”, foi uma grande celebração ao cancioneiro popular brasileiro, repleto de homenagens.
A Intervenção Teatral e Reflexões Culturais
A intervenção teatral “O Museu é a Rua”, encenada no Largo Pedro Archanjo, trouxe à tona importantes discussões sobre memória, patrimônio e a função das ruas como espaços de preservação cultural. O espetáculo, que costuma ser apresentado em monumentos e praças da cidade, propõe uma ocupação simbólica do espaço urbano.
Fabrício Brito, diretor do Grupo de Arte Popular A Pombagem, afirmou que a proposta do espetáculo é uma forma de reivindicar a rua como um espaço de memória viva. “A dramaturgia se reorganiza por meio da interação com o ambiente e com o público presente. É uma proposta de reivindicação da rua como espaço de memória”, declarou.
Ele também ressaltou a ideia de que o conceito de museu vai além de paredes e estruturas físicas. “Muita gente acredita que museu é um espaço delimitado por paredes de concreto, enquanto, na verdade, há várias representações do fenômeno museal. Salvador é um exemplo disso, sendo uma cidade com uma forte cultura de rua. Todo esse cenário serve como base para a construção do nosso espetáculo”, explicou o diretor.
Infelizmente, devido às intensas chuvas que atingiram Salvador nesta quarta-feira (28), a apresentação prevista do show de Papazoni e Selakuatro na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba foi cancelada, mas a energia cultural na cidade continua viva com esses eventos.


