Encontro Cultural Impulsiona a Lei Cultura Viva na Bahia
Agentes culturais de mais de 100 municípios da Bahia se reuniram, neste sábado (28), no Teatro e Centro de Convenções de Feira de Santana, para a abertura da III Teia Estadual dos Pontos de Cultura. O evento, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), abordou o tema “Vozes e territórios pela implementação da Lei Cultura Viva Bahia e pela Justiça Climática”, marcando a volta do encontro após 11 anos. A programação continua neste domingo, 1º de março, com debates e o Fórum Estadual dos Pontos de Cultura.
A Teia Estadual é parte do calendário preparatório para a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que ocorrerá de 24 a 29 de março de 2026 em Aracruz, Espírito Santo. Durante a mesa de abertura, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou a importância da Teia para fortalecer a conexão entre os Pontos de Cultura em todo o Brasil, além de ampliar a implementação da Política Nacional Cultura Viva e consolidar os investimentos garantidos pela Política Aldir Blanc.
Segundo a ministra, a Bahia é destaque nesse cenário, pois é um dos estados com maior número de novos pontos de cultura reconhecidos no país. “Na Política Aldir Blanc, existe um percentual destinado exclusivamente à Cultura Viva. A Bahia está entre os estados que mais aproveitam esses recursos. Discutir sobre pontos de cultura é falar sobre gente, memória e tradição, e a Bahia possuí um protagonismo indiscutível nesse aspecto”, afirmou Margareth.
Pontos de Cultura: Estruturas que Transformam Territórios
O secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, enfatizou o papel essencial dos Pontos de Cultura nas comunidades, destacando como essas iniciativas ajudam a estruturar e a fortalecer a política de territorialização na Bahia. “Movimentamos a base da sociedade com ações como os Pontos de Cultura. Este evento, realizado após 11 anos, é uma oportunidade para avaliar avanços e consolidar o reconhecimento que ajuda a fortalecer essa rede em nosso estado”, explicou.
A superintendente de Desenvolvimento Territorial da Cultura, Amanda Cunha, pontuou o alcance da política cultural no estado, prevendo que a Bahia pode alcançar cerca de 1.800 pontos de cultura certificados. “Hoje, além dos pontos já reconhecidos, estimamos que cerca de 50 mil pessoas tenham sido impactadas pelas ações dos pontos de cultura”, afirmou.
Cortejo e Debates: Uma Celebração da Diversidade Cultural
A abertura do evento foi marcada por um cortejo que celebrou a diversidade cultural, envolvendo pontos de cultura de diversos municípios. A programação incluiu debates sobre gestão colaborativa e a implementação da Lei Cultura Viva Bahia, além da Feira Territórios Criativos da Economia Solidária, do Palco Vozes e Territórios e da Biblioteca de Extensão (Bibex) da Fundação Pedro Calmon.
Eliane Rodrigues, da etnia Truká Tupan, destacou a importância do encontro. Vinda de Paulo Afonso, ela ressaltou a relevância de fortalecer as culturas tradicionais. “Ver tantas culturas reunidas reforça que não estamos sozinhos. Ao voltar para minha comunidade, quero compartilhar essas experiências com os jovens, para que se reconheçam em sua própria cultura e compreendam que a Teia é um espaço de pertencimento e de futuro”, disse.
Fabrício Brito, integrante do Grupo Apombagem, um coletivo de arte popular de Salvador, também participou da III Teia com a intenção de defender o fortalecimento das iniciativas culturais comunitárias. “Espero que este encontro seja uma oportunidade de união entre coletivos que atuam na base e que isso contribua para fortalecer políticas públicas que cheguem até as comunidades. É fundamental que entendamos a cultura em suas várias expressões, mas também como um valor que pode ajudar a reconstruir a sociedade de forma mais justa”, declarou.
A programação cultural do primeiro dia foi encerrada com shows e apresentações artísticas, celebrando a rica diversidade dos territórios baianos.


