Seis Pacientes Atingidos por Complicações Após Cirurgia de Catarata
Seis pessoas foram vítimas de complicações graves e perderam a visão de um dos olhos após realizarem cirurgia de catarata em uma unidade de saúde de Salvador. Os procedimentos ocorreram no dia 26 de fevereiro na clínica Clivan, que foi interditada pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no dia 2 de março, após a repercussão de denúncias feitas por familiares dos pacientes.
Na terça-feira (3), a família de Damário Antônio da Silva, um dos afetados, de 75 anos, registrou uma ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento ao Idoso (Deati), situada no Engenho Velho de Brotas. A neta de Damário, Gleidiane Souza, declarou à TV Bahia: “O que fizeram com meu avô foi desumano. Precisamos saber quem será responsabilizado por isso, e por isso procuramos a delegacia”.
Após a cirurgia, Damário e os outros pacientes começaram a sentir dores intensas, sangramentos e, em consequência, tiveram que retirar o globo ocular. O idoso relatou que o médico, ao examinar sua condição, afirmou que a perda da visão era irreversível e a única alternativa seria a remoção do olho para evitar mais complicações, incluindo o risco de morte.
Embora 38 pessoas tenham relatado problemas após a cirurgia, a SMS conseguiu localizar 26 pacientes que passaram pelo procedimento na clínica. Vale destacar que a unidade, localizada na Avenida Anita Garibaldi, tinha um convênio com a Secretaria e realizava procedimentos através do SUS.
Investigações em Andamento: Causas e Sintomas Identificados
Até o momento, não está claro o que causou a perda de visão nos pacientes. Além dos seis que já perderam um dos olhos, vários outros relataram sintomas como dores intensas, lacrimejamento excessivo e sangramentos. Um funcionário da clínica, que preferiu permanecer anônimo, informou à TV Bahia que as cirurgias foram divididas em duas salas, sendo que a sala onde os pacientes desenvolvidos com infecção recebeu um número menor de atendimentos.
O oftalmologista responsável pelo procedimento também conversou com a equipe da TV Bahia, mas optou por não se identificar. Ele destacou que nunca havia presenciado um caso semelhante em sua carreira e aguarda os resultados das investigações que podem revelar possíveis contaminações durante o procedimento.
Medidas da Secretaria Municipal de Saúde e Investigação
Em resposta à crise, a SMS adotou medidas cautelares, como a suspensão do alvará sanitário da clínica e a interdição temporária dos serviços relacionados aos procedimentos em apuração. Também foi instaurado um processo administrativo para verificar as condições de funcionamento da unidade e notificado o Ministério Público e o Cremeb para acompanhamento.
A Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) e o Cremeb também estão envolvidos nas investigações. A Sesab informou que o convênio da clínica com o estado foi encerrado em dezembro de 2025 e que nenhum dos pacientes que apresentaram complicações foi encaminhado pela rede estadual. A SMS, por sua vez, declarou que todos os pacientes estão sendo assistidos pela rede municipal de saúde para tratar as complicações surgidas.
A Resposta da Clínica Clivan
A clínica Clivan emitiu uma nota afirmando que todos os protocolos clínicos e de biossegurança foram seguidos durante as cirurgias. Em sua declaração, a unidade destacou que realiza mais de 8 mil cirurgias por ano e possui um histórico de segurança e qualidade. A clínica se comprometeu a continuar acompanhando os pacientes afetados e se colocou à disposição para fornecer esclarecimentos sobre os acontecimentos.
O caso segue gerando preocupação e investigação, com a expectativa de que as autoridades esclareçam as causas e responsáveis por essa tragédia que atingiu os pacientes.


