Medida Urgente e Implicações Políticas
O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) tomou uma decisão contundente ao ordenar a remoção imediata de perfis em redes sociais que se utilizam de deepfake e propaganda eleitoral irregular. A determinação também inclui a requisição de defesa por parte do governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA), intensificando as repercussões políticas em torno do incidente.
Na liminar proferida na sexta-feira (20), a justiça atendeu a um pedido do diretório estadual do União Brasil. A sigla alegou a existência de uma campanha coordenada de ataques direcionados ao ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil-BA).
Impacto no Cenário Eleitoral
Essa situação envolve figuras proeminentes da política baiana e promete alterar a dinâmica já acirrada da disputa eleitoral no estado. A integração de novas tecnologias e estratégias digitais de comunicação torna o ambiente político ainda mais complexo e desafiador.
Segundo o processo, os perfis identificados como “@prefakesalvador” e “@acmmasterbahia”, hospedados na plataforma Instagram, deverão ser desativados em até 24 horas. A decisão também obriga a Meta Platforms a fornecer dados cadastrais e registros eletrônicos que possibilitem a identificação dos responsáveis pelas contas.
A justificativa para a ação aponta que os conteúdos disseminados ultrapassaram a linha da crítica política aceitável, utilizando montagens e associando adversários a práticas ilícitas que poderiam prejudicar sua imagem pública. A corte reconheceu indícios de irregularidades eleitorais, acentuados pelo caráter anônimo das contas e pela natureza do material veiculado.
Inteligência Artificial em Foco
Um dos aspectos mais destacados da decisão está relacionado ao uso de inteligência artificial (IA) na criação de conteúdos falsificados. A Justiça Eleitoral reiterou que a legislação vigente já proíbe expressamente a utilização de deepfakes — vídeos ou imagens que foram alterados digitalmente — para a disseminação de informações enganosas ou fora de contexto que possam afetar as eleições.
Esse posicionamento do tribunal ecoa uma tendência já consolidada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que recentemente endureceu as normas sobre o uso de IA durante o período eleitoral. As novas regras incluem a proibição da circulação de conteúdos manipulados nas 72 horas que antecedem e nas 24 horas que seguem as eleições, além de responsabilizar as plataformas digitais que não removerem rapidamente materiais irregulares.
Urgência na Decisão e Danos à Reputação
A concessão da tutela de urgência pelo TRE-BA se baseou no risco elevado de danos à reputação dos candidatos, que podem ser amplificados pela rápida disseminação de informações nas redes sociais. Conteúdos com apelo visual intenso, como os deepfakes, têm a capacidade de gerar repercussões imediatas e de difícil reparação.
Para garantir o cumprimento da ordem judicial, foi estipulada uma multa diária no valor de R$ 10 mil por perfil que não obedecer à determinação dentro do prazo estabelecido.
Defesa de Jerônimo Rodrigues e Próximos Passos
Além da retirada dos perfis, a Justiça convocou o governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA) a se manifestar no prazo de dois dias. Após a identificação dos administradores das contas, os mesmos também deverão apresentar sua defesa. O caso será encaminhado para o Ministério Público Eleitoral (MPE), que pode emitir um parecer sobre os acontecimentos.
Esta ação acende um debate sobre os limites da atuação política nas redes sociais e o papel das campanhas digitais no cenário pré-eleitoral. À medida que as plataformas digitais se tornam ferramentas centrais nas campanhas, a necessidade de regulamentação e controle se torna cada vez mais evidente.
Fortalecimento do Combate à Desinformação
A decisão do TRE-BA se insere em um contexto mais amplo de endurecimento das regras contra a desinformação no Brasil. A Justiça Eleitoral tem intensificado seus esforços para monitorar o conteúdo digital e garantir a integridade do processo eleitoral.
As novas diretrizes que complementam a proibição de deepfakes incluem:
- Banimento de perfis automatizados ou falsos;
- Responsabilização das plataformas digitais;
- Medidas para combater a violência política, especialmente de gênero;
- Monitoramento de conteúdos manipulados por inteligência artificial.
Essas novas regras refletem a crescente preocupação das autoridades em relação ao impacto das tecnologias emergentes na formação da opinião pública e na equidade do processo eleitoral.


