Lula Critica ONU e Denuncia Conflitos Globais em Discurso na Colômbia
No último sábado (21), em um discurso durante o 1º Fórum de Alto Nível Celac-África em Bogotá, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou críticas à atuação da ONU (Organização das Nações Unidas), enfatizando que o Conselho de Segurança, em vez de prevenir guerras, está promovendo conflitos. O foco principal de sua crítica foram as tensões no Oriente Médio e os conflitos na Faixa de Gaza, na Ucrânia e no Irã.
“O Conselho de Segurança da ONU e seus membros permanentes foram criados para tentar manter a paz, e são eles que estão fazendo as guerras”, declarou Lula. Ele expressou indignação pela inércia da organização diante de crises internacionais e enfatizou a urgência de uma reforma que amplie a representação da América Latina e da África.
O presidente questionou: “Quando é que a ONU vai convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos membros do Conselho de Segurança? Por que não se renova? Por que não se coloca mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”. Lula também se referiu ao aumento de conflitos globais como o de maior nível desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e contrastou os elevados gastos militares com a fome que persiste em várias partes do mundo.
Ele lembrou que, em 2023, foram gastos aproximadamente US$ 2,7 trilhões em armamentos, enquanto 630 milhões de pessoas ainda passam fome. “Precisamos de uma ONU que atue para acabar com esse escárnio”, enfatizou Lula, em um apelo por uma maior consciência sobre a necessidade de resolução pacífica dos conflitos e o apoio às populações necessitadas.
Referindo-se ao caso do Irã, Lula recordou sua visita a Teerã em 2010, quando buscou um acordo sobre enriquecimento de urânio, que teve o apoio do então presidente dos EUA, Barack Obama. “O acordo foi firmado, mas os EUA e a Europa aumentaram o bloqueio ao Irã”, lamentou. Para Lula, esse episódio é emblemático de como potências globais constroem inimigos para justificar intervenções. “Nós não podemos viver mais num mundo de mentiras”, afirmou, fazendo uma crítica à narrativa que tem sido utilizada para justificar intervenções militares.
Além das questões de segurança e paz, Lula abordou a disputa por minerais estratégicos e terras raras, alertando que países da América Latina e da África ainda enfrentam as consequências da colonização. Ele argumentou que potências estrangeiras tentam repetir uma lógica de exploração, destacando a importância de fortalecer a produção local em vez de ser meramente exportadora. “Com os minerais críticos, é a chance de Bolívia, África e América Latina não aceitarem ser apenas exportadoras”, defendeu.
Para finalizar, Lula anunciou que o Brasil sediará, em 9 de abril, uma reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, reafirmando seu compromisso com a diplomacia e a cooperação internacional para enfrentar os desafios globais atuais. O discurso de Lula ressoou como um chamado à ação, não apenas para a ONU, mas para a comunidade internacional buscar soluções mais justas e equitativas diante das crises atuais.


