Kenisson Brito e seu projeto inovador
No dia 26 de março de 2026, o estudante Kenisson Morais Brito, da Escola SESI de Vitória da Conquista, fez história ao conquistar uma vaga para a International Science Engineering Fair (ISEF), um dos mais prestigiados eventos de ciência e tecnologia para jovens no mundo. A feira, que ocorrerá de 9 a 15 de maio em Phoenix, Arizona (EUA), é uma oportunidade única para os participantes apresentarem suas pesquisas e inovações.
A credencial para a ISEF foi alcançada através da participação de Kenisson na 24ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), promovida pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP). O jovem destacou-se com seu projeto de pesquisa intitulado “Anisguard: avaliação multifacetada do extrato de pimpinella anisum como fungicida natural, biofertilizante e alternativa custo-efetiva no controle de penicillium spp. em café pós-colheita”. Além de garantir a vaga na feira internacional, ele conquistou o 1º lugar na categoria Ciências Agrárias e o Prêmio Destaque Unidades da Federação – Bahia, pela melhor proposta apresentada no estado durante a Febrace 2026.
Um projeto com raízes locais
Natural de Barra do Choça, cidade baiana famosa pela produção de café, Kenisson se inspirou em sua própria comunidade para desenvolver uma solução para os problemas enfrentados pelos produtores locais. Com a orientação da professora Winne Katharine Rocha e coorientação de Gislaine Santos, o estudante se dedicou intensamente ao projeto, frequentando a escola em horário inverso às aulas regulares por oito meses.
O AnisGuard é um fungicida sustentável, desenvolvido a partir do extrato de sementes de erva-doce, que atua no controle de fungos que afetam a qualidade do café após a colheita. Kenisson explica que o produto é eficaz na inibição da proliferação dos fungos, contribuindo para a redução de perdas na produção e eliminando a necessidade de produtos químicos sintéticos prejudiciais ao meio ambiente. Os testes realizados em três fazendas parceiras em Barra do Choça revelaram resultados promissores.
Rumo à ISEF
Agora, com pouco mais de um mês antes da ISEF, Kenisson se prepara para aprimorar seu projeto, buscando torná-lo ainda mais competitivo no cenário internacional. “É muito gratificante sair do país pela primeira vez por motivos acadêmicos”, comenta. O reconhecimento recebido é um reflexo do esforço e dedicação do estudante, que pretende mostrar ao mundo o potencial da pesquisa científica no Brasil.
Reconhecimento de outros talentos
Além do projeto de Kenisson, cinco propostas desenvolvidas no Programa de Iniciação Científica da Escola SESI foram finalistas na Febrace, com três delas sendo premiadas. Outro destaque foi o estudo intitulado “Arecê: perfume sólido natural com propriedades insetífugas derivadas da copaíba”, apresentado pelos estudantes Guilherme de Andrade, Beatriz Mota e Gabriela Salomão, da Escola SESI Milton Santos de Camaçari. Orientados pelo professor Igor Felipe Lima, os jovens conquistaram o Prêmio Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBQ) na categoria Bioquímica.
Na categoria Humanas – Educação, o projeto “Retraçando a Caatinga”, desenvolvido pelas alunas Ananda Giulia Barbosa e Ester Alves de Jesus, ficou em 3º lugar na classificação geral em Ciências Humanas. As estudantes, da Escola SESI Djalma Pessoa de Salvador, foram orientadas pela professora Michele Sodré das Neves. Segundo Clessia Lobo, superintendente executiva de Educação e Cultura do SESI Bahia, os reconhecimentos obtidos na Febrace reforçam a robustez do Programa de Iniciação Científica, que tem atraído mais de mil alunos ao longo de sua atuação no estado.
Outros projetos finalistas
Entre os projetos finalistas da Febrace, destacam-se as iniciativas nas categorias Nutrição e Agronomia. A estudante Bianca Mota, da Escola SESI Milton Santos, em Camaçari, apresentou o projeto “Pancpan: barrinhas produzidas a partir das plantas alimentícias não convencionais (PANCS) para promover a segurança alimentar nas áreas de subalimentação”, sob a orientação do professor Igor Felipe Lima. Por sua vez, o aluno Enzo Guimarães, da Escola SESI Reitor Miguel Calmon, em Salvador, concorreu com o projeto “Photocaf: aplicação da biofotônica na detecção pré-sintomática da ferrugem do cafeeiro”, com orientação do professor Yulo Augusto Freitas.


