PSD em Alerta: Críticas à Candidatura de Caiado
Os bastidores políticos do PSD ganham contornos de tensão com a recente candidatura à presidência da República, apresentada por Ronaldo Caiado. Setores do partido que apoiam a reeleição do presidente Lula não hesitaram em criticar não apenas a candidatura em si, mas também a polêmica declaração de Caiado de que, caso eleito, seu primeiro ato seria assinar uma anistia ampla, geral e irrestrita para réus e condenados relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro, além de outros envolvidos em ações golpistas.
Otto Alencar, líder do PSD no Senado e presidente do diretório baiano do partido, foi enfático em sua reprovação. “A declaração do Caiado vai de encontro ao que eu e muitos no partido acreditamos. Sou contra a anistia e já me manifestei contrariamente a essa questão no Congresso. A posição dele contradiz a nossa”, afirmou à CNN Brasil.
Alencar não está sozinho em sua insatisfação. Outros membros influentes da legenda, como o senador Omar Aziz, também expressaram descontentamento em relação à candidatura de Caiado e suas declarações sobre a anistia, destacando a divisão interna que a situação pode ocasionar.
Alianças Firmadas em Nome de Lula
O líder do PSD na Bahia reforçou a aliança do partido com a reeleição de Lula, afirmando que a totalidade da legenda – incluindo 115 prefeitos e uma quantidade significativa de candidatos a cargos federais e estaduais – apoiará o atual presidente. “O palanque de Caiado na Bahia não é o PSD, é o União Brasil de ACM Neto, meu adversário”, destacou Alencar, sublinhando a posição do partido no estado.
Ele também sugeriu que a mesma dinâmica se repete em outras regiões do país. “Como no Amazonas, onde Omar vota com Lula; no Rio Grande do Sul com Eduardo Leite; no Rio de Janeiro com Eduardo Paes; em Pernambuco com Raquel Lyra; e em Sergipe. Muitos, como eu, não foram consultados a respeito da candidatura de Caiado”, completou.
Questionamentos sobre a Candidatura de Caiado
Apesar das críticas, Alencar admitiu que não acredita que o partido conseguirá barrar a candidatura de Caiado na convenção, mas afirmou que sua posição é clara: “Eu não vou apoiar, mas também não irei atrapalhar. Aqui na Bahia, definitivamente, não haverá apoio do PSD”, pontuou.
Além disso, Alencar expressou sua preocupação com o lançamento de uma candidatura por alguém que chegou recentemente ao partido. “Na minha visão, um candidato deve ter uma base sólida dentro do partido, o que requer tempo e visita aos diretórios estaduais. A candidatura não pode ser uma surpresa. Deve haver um trabalho consistente de dois anos, percorrendo o Brasil e avaliando estado por estado. Isso é fundamental para a viabilização de qualquer candidatura”, concluiu.


