A escassez de projetos concretos para a saúde desafia candidatos nas eleições de 2026
Com a proximidade das eleições, as candidaturas já estão recebendo críticas em relação às suas propostas para a saúde pública no Brasil. Diversos projetos e ideias, embora ainda sem clareza, estão sendo discutidos. Um exemplo é o Plano Real da Saúde, apresentado em fevereiro pelo doutor Queiroga, ex-ministro do governo Jair Bolsonaro. A proposta, que busca reformar a tabela SUS e garantir uma remuneração justa para profissionais de saúde, suscita dúvidas sobre sua viabilidade.
A atual repetição do programa eleitoral do PL de 2022, que ignora a falta de implementação de políticas durante o governo anterior, parece mais uma estratégia para impulsionar a candidatura de Queiroga ao Senado e conquistar apoio de empresários e entidades médicas do que uma real preocupação com a saúde do povo.
Em tempos em que o debate sobre a saúde ocupa um lugar de destaque nas pesquisas de opinião, seria esperado que setores democráticos apresentassem propostas consistentes que atendessem às necessidades da população. No entanto, a história recente mostra que as candidaturas tendem a girar em torno de promessas que acabam sendo imprecisas, com a ideia de que é possível fazer mais em menos tempo.
Essa ânsia de agradar grupos de eleitores que têm voz ativa em suas demandas tem resultado em uma falta de propostas estruturais que realmente transformem o sistema de saúde. O Ministério da Saúde, que sofreu um colapso durante os governos de direita, tem enfrentado desafios para se reerguer nas gestões de Nísia Trindade e Alexandre Padilha, mas ainda carece de iniciativas robustas que provoquem um impacto positivo e nacional.
Enquanto isso, as tentativas de afirmar o Sistema Único de Saúde (SUS) como um modelo universal estão frequentemente em conflito com interesses privados, que também fazem parte das alianças políticas formadas por diferentes espectros ideológicos. As movimentações políticas, embora necessárias, muitas vezes fragmentam e diluem o potencial de mudanças significativas que poderiam fortalecer o setor público de saúde.
Recentemente, a falta de propostas práticas para um SUS que seja não apenas abrangente, mas também qualificado, foi preenchida por dois tipos de iniciativas: uma reformulação das bases institucionais da saúde, como a proposta do Instituto Todos pela Saúde, que sugere a criação de um órgão específico para prevenção e controle de doenças. A outra, por sua vez, busca ajustar as competências da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para regular inovações, impulsionada por demandas da iniciativa privada.
Além disso, a abertura do período eleitoral tem trazido de volta grupos de pressão que tentam promover suas exigências sob o pretexto de que a expansão dos mercados é a única solução para os problemas de saúde no Brasil. Tais tendências, que não são novas, geralmente têm sucesso em influenciar políticas públicas, criando a impressão de que a segregação nos cuidados de saúde é inevitável e até mesmo desejável para alguns.
A disputa em torno de questões como o acesso a medicamentos, a prevenção de violências e a oferta de atendimento médico não está se traduzindo em um sistema de saúde coeso. A falta de alternativas reais para lidar com problemas como poluição, consumo de alimentos ultraprocessados e dependência de substâncias, assim como a ineficácia do Programa Farmácia Popular em solucionar os altos custos enfrentados por famílias, evidenciam a urgência de mudança nas diretrizes políticas.
Assim, a questão que se coloca é: conseguiremos mobilizar a população em torno da defesa de uma saúde pública de qualidade, ou continuaremos a nos perder em discussões superficiais enquanto os direitos e a democracia estão em risco? O cenário é desafiador, mas a luta pela saúde é mais do que uma questão eleitoral; é uma questão de justiça social e cidadania.


