Documentos Reveladores
Uma análise detalhada dos documentos apresentados pelo Banco Master à Receita Federal destaca a estreita conexão da instituição com figuras políticas proeminentes na Bahia, abrangendo membros do governo, do Centrão e da oposição. O material, obtido pelo jornal O GLOBO, expõe novos dados sobre pagamentos que já haviam sido mencionados anteriormente em relação ao ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), pré-candidato ao governo da Bahia, além de uma familiar do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Esses desdobramentos levaram os dois grupos políticos adversários a estabelecer um pacto para evitar que o tema dos pagamentos do Banco Master se torne um ponto de embate durante a campanha eleitoral. Interlocutores analisam que a exploração deste assunto pode gerar desgastes significativos tanto para ACM Neto quanto para os aliados de Wagner, que apoiam a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT).
Consultorias e Contratos
A análise dos documentos revela que ACM Neto recebeu R$ 5,4 milhões entre 2023 e 2025 por meio de sua empresa de consultoria. Em resposta, o ex-prefeito declarou que não teve acesso aos dados para confirmar os valores apresentados. Ele esclareceu que a relação com o Banco Master foi estabelecida antes de qualquer sócio da A&M ocupar cargo público e que suas atividades envolviam a análise da agenda político-econômica nacional, além de diversas reuniões com representantes da instituição financeira.
O ex-prefeito também se dispôs a colaborar com o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para esclarecer a situação e solicitou uma investigação acerca do vazamento de informações fiscais sigilosas.
Transferências Financeiras Suspeitas
Os registros da Receita também revelaram transferências significativas, totalizando R$ 14 milhões entre 2022 e 2025, para a BN Financeira, empresa cujos interesses estão ligados à nora de Jaques Wagner. O contrato com essa firma foi estabelecido em 2021, e os pagamentos alcançaram R$ 7 milhões no último ano. Quando contatada, a empresa negou quaisquer vínculos com Wagner, enfatizando que suas operações foram conduzidas dentro da legalidade e que todos os recursos foram devidamente contabilizados e declarados à Receita.
Conexões com Outros Políticos
Além das operações envolvendo ACM Neto, outras informações apontam que o Banco Master transferiu R$ 12 milhões para a Mollitiam Financeira entre 2022 e 2025. Essa empresa é de propriedade de Otto Alencar Filho, que, além de ex-deputado federal, atua como conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia. Otto Filho afirmou que todos os serviços foram devidamente faturados e que os impostos foram pagos conforme as exigências legais.
Outro nome relevante nesse cenário é o de Ronaldo Bento, ex-ministro da Cidadania, cuja empresa, a Meta Consultoria, recebeu R$ 6,2 milhões do Banco Master em 2025. A convocação de Bento para prestar esclarecimentos na CPI do Crime Organizado também surge como um ponto de atenção, dado seu histórico no Banco Pleno, que tem vínculos com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A Influência de Augusto Lima
A presença do Banco Master na Bahia está atrelada à ascensão de Augusto Ferreira Lima, que se tornou sócio da instituição. Lima, que foi preso durante a Operação Compliance Zero, viu seu negócio florescer após a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) durante o governo de Rui Costa. Sua empresa, Credcesta, uma iniciativa voltada a servidores públicos, se expandiu e estabeleceu parcerias com o Banco Master em todo o Brasil.
Além de suas conexões políticas na Bahia, Lima mantém relações no cenário político de Brasília. Sua recente união com Flávia Peres, ex-ministra do governo Bolsonaro, reforça ainda mais seu envolvimento nas esferas de poder. Em uma declaração recente, Rui Costa defendeu a operação que possibilitou a expansão dos negócios de Lima, destacando sua importância econômica.


