Reconhecimento Nacional para o Censo da Doença Falciforme
O recente Censo das Pessoas com Doença Falciforme da Bahia conquistou uma menção honrosa durante a 18ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (ExpoEpi), realizada em Brasília. O reconhecimento foi concedido pela Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde. Lançado em junho de 2024, o Censo é fruto de uma parceria estratégica entre a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Fundação Hemoba. A apresentação do projeto foi feita por Altair Lira, assessor de Relações Institucionais do Centro de Referência das Pessoas com Doença Falciforme Rilza Valentim (CERPDF/Hemoba).
Este censo tem como principal finalidade mapear a população afetada pela doença falciforme, além de identificar os serviços e os profissionais de saúde que oferecem suporte a esses pacientes em todo o estado da Bahia. Durante a apresentação de Lira, foi enfatizado que a Bahia registra a maior taxa de incidência da doença no Brasil, com uma estimativa de um caso a cada 650 nascimentos. Em comparação, a média nacional é de um caso a cada mil nascidos vivos, totalizando cerca de 3,5 mil novos casos anualmente e uma população estimada entre 60 mil e 100 mil pessoas convivendo com a enfermidade.
Dados Reveladores do Censo
Segundo os dados coletados pelo Censo, entre 15 de julho de 2024 e 10 de abril de 2026, foram cadastrados 2.186 pacientes em 352 municípios da Bahia. Desses, 2.010 estão atualmente em tratamento, com 1.282 recebendo medicamentos e 820 realizando transfusões sanguíneas. Além disso, 57 pacientes utilizam próteses e 87 sofrem com úlceras. A composição demográfica dos pacientes mostra uma predominância significativa de pessoas pardas (1.107) e pretas (939), com a maioria concentrada na faixa etária de 25 a 59 anos, totalizando 828 indivíduos nesta faixa.
Compreendendo a Doença Falciforme
A doença falciforme é uma condição genética e hereditária que se caracteriza por anormalidades nas hemácias, os glóbulos vermelhos do sangue. Essas células tornam-se rígidas e assumem um formato semelhante ao de uma foice, o que dificulta a circulação sanguínea e compromete o transporte de oxigênio para órgãos vitais como o cérebro, pulmões e rins. Embora a enfermidade seja mais comum em pessoas de origem africana, a intensa miscigenação da população brasileira torna possível sua ocorrência em indivíduos de diversas origens étnicas.
Esse reconhecimento do Censo na ExpoEpi representa um avanço significativo na luta contra a doença falciforme, trazendo à luz a importância do mapeamento e do atendimento adequado a essa população. A iniciativa não apenas ajuda na coleta de dados valiosos, mas também destaca a necessidade de políticas de saúde mais eficazes e inclusivas para lidar com essa condição que afeta milhares de brasileiros.


