Suspeitas de Corrupção Envolvem Geddel e Fuga de Traficante
O Ministério Público da Bahia está conduzindo investigações sobre Geddel Vieira Lima, ex-deputado federal do MDB, por sua suposta participação em um esquema de corrupção que pode ter envolvido o pagamento de R$ 1 milhão. O caso está ligado à fuga de Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como “Dadá”, que é apontado como um dos líderes do Primeiro Comando de Eunápolis, uma facção do Comando Vermelho operando no sul da Bahia.
A operação que desencadeou as investigações, chamada de Duas Rosas, foi deflagrada na última quinta-feira, dia 16. O nome da operação alude ao valor da propina, que, segundo apurações, teria sido direcionada a Uldurico Júnior, preso em um hotel na Praia do Forte. Durante diálogos com Joneuma, citada nas investigações, Uldurico sugeriu que metade da quantia de R$ 2 milhões seria destinada a Geddel, levantando questionamentos sobre o envolvimento do ex-parlamentar. O Ministério Público instaurou um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para checar a ligação entre Geddel e Uldurico, além de investigar se ele realmente se beneficiou dessa transação.
Este não é o primeiro confronto de Geddel com a Justiça. Em setembro de 2017, na operação denominada Tesouro Perdido, a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em um apartamento alugado por ele em Salvador. O local, que Geddel alegou ser apenas um “escritório” para guardar documentos, continha grandes quantias em dinheiro, armazenadas de maneira precária em malas e caixas. Após três dias de contagem, o valor total foi revelado, e a origem dos fundos nunca foi explicada pelo ex-ministro, que ocupou cargos nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.
Em 2019, Geddel foi formalmente acusado de lavagem de dinheiro e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 14 anos de prisão. As investigações indicaram que o apartamento era utilizado como um “bunker” para ocultar propinas, com impressões digitais do ex-deputado encontradas nas notas e malas. Agora, quase uma década depois, Geddel se vê novamente no centro de um escândalo. A Operação Duas Rosas revela que o termo “rosa” era utilizado como código para se referir a dinheiro em várias conversas, o que levanta mais suspeitas sobre a natureza das transações em que Geddel estaria envolvido.
Conexões Políticas e Vantagens Indevidas
Os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) alegam que Joneuma, apontada como uma indicação política de Uldurico Júnior para a direção do presídio, permitiu a concessão de regalias aos presos ligados ao Primeiro Comando de Eunápolis. Dentre as vantagens, estavam incluídos acesso a eletrodomésticos, refeições diferenciadas e até a possibilidade de realizar festas dentro da unidade.
Durante sua gestão, Joneuma permitiu que Geddel visitasse o presídio diversas vezes, sem que esses registros fossem anotados oficialmente. Em encontros clandestinos, Geddel e “Dadá” teriam discutido temas relacionados a facilidades dentro da penitenciária. Uma das partes mais preocupantes das acusações envolve a entrega de uma primeira parte da propina, que seria de R$ 200 mil, supostamente repassada ao ex-deputado em uma caixa de sapatos.
Com a situação se tornando crítica, Joneuma decidiu firmar um acordo de delação premiada e revelou detalhes sobre como a fuga de “Dadá” foi orquestrada. Em troca de sua colaboração, ela deve cumprir apenas um ano de prisão em regime fechado, seguido de dois anos em regime semiaberto. Entre as obrigações, está a proibição de realizar eventos sociais em sua residência e o monitoramento eletrônico contínuo.
Segundo Joneuma, poucos dias após a fuga, encontrou-se com Uldurico Júnior em um hotel em Salvador, onde o ex-deputado a pressionou a manter sigilo sobre os acontecimentos. Durante as investigações, foram encontradas mensagens que sugeriam uma comunicação constante entre Uldurico e Geddel, onde discutiam detalhes da fuga e o pagamento da propina. A Promotoria destacou que as mensagens trocadas contêm um padrão de pressão sistemática exercida por Uldurico, cobrando o pagamento do valor restante da propina de maneira codificada.


