O papel da agricultura familiar no fortalecimento econômico do estado
No contexto do agronegócio brasileiro, o Espírito Santo tem se destacado como um verdadeiro protagonista, especialmente impulsionado pela robustez de sua agricultura familiar. A partir do Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo IBGE, foi identificado que o estado conta com 108.014 estabelecimentos agropecuários, dos quais impressionantes 74,8% são de propriedades familiares. Essa realidade revela a vocação do Espírito Santo para o setor agropecuário, onde a agricultura e a pecuária não apenas se destacam, mas também desempenham um papel estratégico na economia local.
A distribuição desses pequenos produtores se estende por 3,24 milhões de hectares, constituindo a base de uma economia que vai além do tradicional cultivo do café, que é o carro-chefe do estado. Como destaca o diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, ‘a agricultura e a pecuária são atividades essenciais para a economia capixaba, respondendo por 4,5% do PIB estadual e sustentadas majoritariamente por pequenas propriedades rurais’.
Leia também: Café Mantém a Liderança nas Exportações do Agronegócio Capixaba em 2025
Leia também: Eventos do Agronegócio Capixaba Movimentam Milhões com Calendário Confirmado para 2026
Além do café, o Espírito Santo é reconhecido como líder na produção e exportação de mamão, apresenta destaque na criação de bovinos e aves, e cultiva variedades como pimenta-do-reino, gengibre e cacau. Notavelmente, o município de Santa Maria de Jetibá se destaca como o maior produtor de ovos do Brasil, evidenciando a diversidade da produção capixaba.
A atividade agroflorestal no estado também é significativa, com a produção de celulose gerando um montante de US$ 532,9 milhões apenas no primeiro semestre de 2024, representando 34,28% das exportações do Espírito Santo. Segundo a Secretaria Estadual da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), houve um aumento de 23,4% no valor das exportações de celulose, mesmo diante de uma queda de 4,8% no volume exportado.
Juntamente com a celulose, o complexo cafeeiro e a pimenta-do-reino compõem os três principais produtos da pauta de exportações do agronegócio capixaba, somando 95% do valor total comercializado entre janeiro e julho de 2024. Essa diversidade na produção é um fator que reforça a importância e o dinamismo do setor agropecuário no Espírito Santo, que emprega mais de 357 mil pessoas e conta com quase 5.000 agroindústrias locais, das quais 76% são também de propriedade familiar.
Leia também: Governo da Bahia Inaugura Unidade de Mel e Classificadora de Ovos para Fortalecer Agricultura Familiar
Leia também: Bahia Farm Show 2026: Caravanas Destaquem Agricultura Familiar e Inovação
O papel da celulose e do eucalipto no agronegócio
Embora nem sempre sejam reconhecidas como parte integrante do setor, a produção de eucaliptos e a indústria da celulose são fundamentais para a economia e o agronegócio do Espírito Santo. Essas atividades não apenas geram empregos, mas também impulsionam a renda local e contribuem para o desenvolvimento sustentável. O cultivo de eucaliptos, devido à sua rápida taxa de crescimento e alta produtividade, desponta como uma das principais atividades agroindustriais do estado, proporcionando a matéria-prima necessária para a produção de celulose e papel.
A Suzano, maior produtora mundial de celulose e referência na fabricação de bioprodutos derivados do eucalipto, desempenha um papel crucial no desenvolvimento rural sustentável do Espírito Santo. A empresa implementou programas de arrendamento e fomento para produtores locais, possuindo atualmente 1.119 contratos de parceria com agricultores. Essas iniciativas são voltadas a proprietários de áreas iguais ou superiores a 50 hectares, que atendem aos critérios para o cultivo. A Suzano assume as operações desde o plantio até a colheita, pagando ao produtor pela área utilizada.
No modelo de fomento, a empresa fornece mudas e assistência técnica, enquanto o produtor parceiro é responsável pelo plantio, tratos culturais e colheita, com a garantia de compra da madeira pela Suzano. A soma das exportações do setor no primeiro semestre de 2024 superou US$ 1,5 bilhão (ou R$ 8,3 bilhões), estabelecendo um novo recorde para o período e representando um crescimento de 83% em relação ao mesmo intervalo de 2023.
Com mais de 1,3 milhão de toneladas de produtos do agronegócio capixaba enviadas para fora do país, houve um aumento de 12% no volume exportado. Eduardo Ton, gerente de Crédito e Agronegócio do Sicoob Central do Espírito Santo, ressalta que o estado se destaca por oferecer preços competitivos e valor agregado nas suas principais commodities, como café, pimenta-do-reino e cacau. ‘De certa forma, estamos em uma situação melhor que o resto do Brasil, onde commodities como boi, soja e milho enfrentam desafios’, observa Ton.


