Denúncias e processos marcam atuação da Associação Saúde em Movimento na Bahia
A Associação Saúde em Movimento (ASM), uma das principais organizações do terceiro setor na gestão hospitalar do Brasil, enfrenta uma série de processos judiciais e denúncias que colocam em xeque sua atuação na Bahia e em outras unidades de saúde pelo país. A entidade acumula ações relacionadas a atrasos no pagamento de funcionários, fornecedores e prestadores de serviço, além de ser investigada por supostas fraudes, superfaturamento e inadimplência em contratos públicos milionários.
Controvérsias envolvendo a direção e estrutura financeira
Informações divulgadas pelo portal VeroNotícias apontam que o CEO da ASM, Cláudio Vitti, e sua família estão sob investigação por supostas irregularidades financeiras e patrimoniais. Reportagens mencionadas nas denúncias citam a aquisição de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e viagens internacionais, levantando suspeitas sobre a origem desses recursos. Além disso, há indícios de que Vitti e seus familiares organizariam uma complexa estrutura financeira para triangulação ilegal de repasses públicos, com o uso de mecanismos que poderiam burlar os controles fiscais, configurando possível evasão de impostos.
Outro ponto destacado é a chamada “confusão patrimonial”, onde não haveria distinção clara entre bens da empresa e dos sócios, dificultando a transparência da gestão.
Uso de CNPJs “laranjas” e irregularidades em licitações
Denúncias também indicam que a ASM teria criado uma rede de organizações menores para atuar como CNPJs “laranjas”. Essa estrutura serviria para que a entidade continuasse participando e vencendo licitações públicas mesmo quando judicialmente impedida de competir. Esse tipo de prática compromete a lisura dos processos e pode causar prejuízos à saúde pública.
Investigação nacional e histórico de inadimplência
A atuação da ASM é alvo de investigações em vários estados. No Rio de Janeiro, responde a uma Ação Civil Pública de R$ 370 milhões, relacionada ao uso de atestado técnico falso. No Distrito Federal e Tocantins, contratos foram suspensos após auditorias apontarem irregularidades. Em Brasília, o Tribunal de Contas identificou indícios de superfaturamento e serviços não realizados em hospitais de campanha durante a pandemia de Covid-19, somando R$ 34 milhões em valores questionados.
No Rio Grande do Sul e Mato Grosso, foram detectados atrasos, subcontratações e possíveis irregularidades fiscais em unidades sob gestão da organização.
Vazamento de dados de pacientes e impactos na privacidade
A ASM também enfrenta investigação por um vazamento de dados pessoais e médicos de cerca de 500 mil pacientes atendidos em suas unidades. As autoridades responsáveis pela proteção de dados buscam identificar a origem da falha e avaliar o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A associação informou ter adotado medidas para conter o incidente e está apurando as causas do ocorrido.
Processos administrativos e resposta da Associação
Além das investigações criminais e civis, a ASM responde a processos administrativos que envolvem atrasos no pagamento de salários, fornecedores e prestadores, assim como questionamentos sobre a gestão financeira e condução dos contratos públicos. A entidade reafirma sua atuação dentro da legalidade e se compromete a apresentar os esclarecimentos necessários ao longo das investigações.
O desdobramento desses casos terá impacto direto na prestação de serviços de saúde geridos pela Associação Saúde em Movimento, que atende a população em várias regiões do país, incluindo a Bahia. O acompanhamento dessas investigações é fundamental para garantir transparência, respeito aos direitos dos trabalhadores e a qualidade do atendimento oferecido à população.

