A cultura que atravessa fronteiras
No Espírito Santo, a linha que divide estados não separa apenas territórios, mas também une identidades. Em Pedro Canário, município do Norte capixaba que faz divisa com Mucuri, na Bahia, o sotaque, as gírias e os costumes refletem uma convivência profunda com o estado vizinho. Essa relação é o tema central da série “A Cultura da Divisa”, produzida pelo HZ, que investiga as trocas culturais em cidades fronteiriças com Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Pedro Canário: um pedaço da Bahia no Espírito Santo
Bruno Machado, 26 anos, nascido e criado em Pedro Canário, é um dos moradores que melhor ilustram essa influência. Para ele, o jeito receptivo e o sotaque arrastado, repleto de expressões como “massa” e “oxente”, aproximam a comunicação local da fala baiana. O uso de termos carinhosos para os pais, como “Painho” e “Mainha”, reforça essa conexão afetiva e cultural.
Não são apenas as palavras que carregam a marca da Bahia. A música e as festas locais também refletem essa convivência. Ritmos como forró, arrocha, axé e swingueira animam as celebrações em Pedro Canário, aproximando ainda mais as tradições culturais dos dois estados. No verão, as praias baianas de Mucuri e Nova Viçosa se tornam destinos frequentes dos moradores, que também cruzam a divisa para trabalhar, visitar familiares e aproveitar a diversidade comercial das cidades vizinhas.
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A circulação constante entre os dois estados revela um fluxo cultural e econômico que ultrapassa limites geográficos. Empresas baianas empregam moradores de Pedro Canário, enquanto a população busca nas cidades vizinhas uma variedade de produtos e experiências culturais que enriquecem o dia a dia local.
Uma convivência que resiste e se renova
Ao observar a influência da Bahia em Pedro Canário, a série “A Cultura da Divisa” oferece um olhar sensível sobre como as fronteiras podem ser pontos de encontro e troca, onde sotaques, expressões e ritmos se entrelaçam sem pedir passagem. Para quem vive nessa região, a cultura é viva e fluida, sempre pronta para se reinventar a partir do contato com o outro.

