Oportunidade Ferroviária para o Oeste Baiano
O desenvolvimento da ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) nasceu da necessidade urgente de escoar as crescentes safras de grãos e algodão do Oeste da Bahia até um novo porto no litoral Sul do estado, que possui a costa mais extensa do país. Inicialmente, a FIOL foi vista apenas como uma solução regional, mas com o avanço do projeto, mostrou-se uma oportunidade estratégica para o Brasil criar uma “cruz ferroviária” capaz de integrar o território nacional. Essa integração se daria por meio da conexão da FIOL com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), formando um eixo transversal para ligar o celeiro do Centro-Oeste brasileiro ao litoral baiano.
Desafios e Estruturação do Eixo Transversal
O engate entre FIOL e FICO acontece em Mara Rosa (GO), onde também cruza com a Ferrovia Norte-Sul (FNS). Para isso, o trecho três da FIOL foi ampliado para ligar Correntina (BA) a Mara Rosa (GO). Essa conexão não é novidade, vindo a partir do conceito da Ferrovia Transulamericana, idealizada pelo engenheiro baiano Vasco Neto, que propôs traçar linhas de menor resistência para otimizar a malha ferroviária.
O desafio é tão grande quanto o da construção da Ferrovia Norte-Sul, iniciada nos anos 1980 e apenas recentemente concluída. Porém, a velocidade da economia atual não permite esperar quatro décadas para a execução da FIOL-FICO. A necessidade de infraestrutura ágil é premente para acompanhar a dinâmica global.
Avanços e Sinais Contraditórios no Projeto
O eixo transversal, oficialmente chamado Corredor Leste-Oeste, ganhou força recentemente com a decisão do Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI) de incluir o trecho Lucas do Rio Verde (MT) – Vilhena (RO). A medida reforça a intenção de consolidar uma ligação ferroviária interoceânica entre o Atlântico e o Pacífico, conforme acordo entre Brasil, Peru e a China, que apoia estudos técnicos e de viabilidade.
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Apesar disso, o cenário não é totalmente favorável. O ministro dos Transportes anunciou que a modelagem da concessão será enviada ao Tribunal de Contas da União (TCU) ainda este ano, mas o próprio TCU alerta que atrasos nas obras do trecho II da FIOL, que liga Caetité a Barreiras, podem comprometer essa modelagem e o calendário previsto.
Atrasos e Impactos na Economia Baiana
Inicialmente, a conclusão do trecho II estava prevista para o final de 2027, mas a contratação do lote entre Caetité e Guanambi já estendeu o prazo para 2029. Além disso, atrasos no lote entre Bom Jesus da Lapa e Correntina indicam riscos diretos à estruturação da concessão e ao cumprimento das metas.
Outro ponto crítico é o impasse envolvendo a Bamin, concessionária do trecho I da FIOL (Ilhéus-Caetité) e do Porto Sul. Circulam rumores sobre uma possível transferência da concessão para a empreiteira luso-chinesa Mota-Engil, sem confirmação oficial. Enquanto isso, a alternativa de retomar a concessão e licitar o trecho a partir de Ilhéus permanece estagnada.
Urgência para a Bahia e o Brasil
Concluir os trechos I e II da FIOL, que ligam Ilhéus a Barreiras, junto com o Porto Sul (preferível nomeado Aritaguá), é essencial para aliviar a economia baiana, que sofre com um isolamento logístico que limita seu crescimento. A sincronização entre os dois trechos e o porto é fundamental para garantir a funcionalidade da ferrovia. Atualmente, mais de 70% das obras dos dois trechos estão concluídas, mas o porto sequer começou a ser construído. Antes, a previsão era finalizar tudo até dezembro de 2027, mas ninguém confirma o novo prazo.
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Perspectivas e Gestão do Projeto
Enquanto isso, a FICO I, que liga Mara Rosa a Água Boa, no Mato Grosso, está sendo executada pela Vale com investimento cruzado e tem conclusão prevista para abril de 2028. Parece até haver uma estratégia não explicita para que a FICO fique pronta antes da FIOL.
Projetos ferroviários demandam alto investimento e prazos longos, mas não há razão para que a FIOL-FICO enfrente atrasos tão extensos. A falta de uma visão integrada e de um gerenciamento dedicado para coordenar as ações necessárias compromete o avanço do Corredor Leste-Oeste.
Essa infraestrutura é estratégica e estruturante, e não pode ficar à mercê da burocracia ou da falta de planejamento eficiente. O Brasil não pode abrir mão dessa obra, que representa uma transformação concreta para a economia regional e nacional.
O Corredor Leste-Oeste precisa ser prioridade máxima para acelerar a integração logística, impulsionar a produção, gerar empregos e destravar o potencial econômico do Oeste baiano e do Centro-Oeste brasileiro.

