Conflito em debate sobre saúde na USP
Um debate promovido na Universidade de São Paulo (USP) sobre temas de saúde acabou em confronto entre a candidata ao governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), Izadora Dias, e estudantes presentes. A militante defendeu que os presídios femininos devem ser organizados de acordo com o sexo biológico, alegando que a presença de mulheres trans nesses locais tem provocado ameaças e violência contra as apenadas. A posição gerou reação imediata dos estudantes, que contestaram suas afirmações.
Defesa e críticas no debate
Izadora Dias afirmou que “os presídios precisam ser definidos pelo sexo” e mencionou denúncias de apenadas que estariam sofrendo ameaças na presença de mulheres trans. Ela destacou diferenças biológicas entre os sexos, como gestação e amamentação, classificando como “negacionismo” qualquer relativização desses fatos. A militante divulgou um vídeo com suas declarações em seu perfil no Instagram, onde outros candidatos ao governo também estavam presentes.
Uma estudante do Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER), responsável pela organização do debate em parceria com a Associação Paulista de Saúde Pública e a Faculdade de Saúde Pública da USP, questionou a fala de Izadora. Ela afirmou que não existe diferença científica comprovada entre homens e mulheres e alertou que as declarações da candidata poderiam configurar crime de transfobia, que, segundo o entendimento jurídico atual, é enquadrado na lei do racismo, sendo inafiançável e imprescritível.
Leia também: Voos Diretos de Buenos Aires para Maceió Expandem Turismo Internacional em Alagoas
Fonte: alagoasinforma.com.br
Leia também: Eleições 2026: O Que os Candidatos ao Governo da Bahia Propõem para a Tecnologia
Fonte: feirinhadesantana.com.br
Reação da candidata do PCO e desdobramentos
Sem recuar, Izadora Dias reafirmou sua posição, afirmando que o partido não modifica suas opiniões para seguir a opinião pública. Durante o embate, foi chamada de transfóbica pelos estudantes. Ela rebateu questionando a aplicação da lei do racismo e fez uma ligação com o apoio a causas internacionais, mencionando o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Flávio Bolsonaro, sugerindo que essas tensões influenciam eleições no estado.
Os estudantes chegaram a solicitar a presença da polícia, que não compareceu. Foram orientados a registrar um Boletim de Ocorrência para formalizar a situação.
Posicionamentos oficiais e repercussão
O CAER emitiu nota acusando Izadora Dias de descontextualizar o debate para autopromoção e repudiou a disseminação de estereótipos violentos contra pessoas marginalizadas. O texto reforça a defesa do direito à existência e dignidade de todos.
Leia também: Datafolha: Ciro e Elmano empatam tecnicamente no Ceará com diferença de apenas 1 ponto
Fonte: reportersorocaba.com.br
Em resposta à Folha de S.Paulo, a USP e a Faculdade de Saúde Pública também repudiaram as declarações da candidata do PCO, ressaltando o compromisso das instituições com o debate democrático, sem concordância com todas as opiniões expressas durante as atividades.
O PCO publicou um texto em seu veículo oficial relatando casos semelhantes em outras universidades públicas, como Brasília e Santa Catarina. O partido critica o uso da acusação de transfobia como forma de deslegitimar o adversário e impedir o diálogo.

