Pedido para anular votos de Deltan Dallagnol chega ao Supremo
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu neste sábado (3.out.2026) uma petição que solicita a anulação dos votos direcionados a Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná. O documento, protocolado na reclamação 94.666, foi encaminhado diretamente ao gabinete do ministro, que é o relator do caso, sem passar pela Presidência do STF.
A relevância desse pedido está diretamente ligada à disputa pelo Senado no Paraná, onde Gleisi Hoffmann (PT) concorre a uma das vagas e pode ser beneficiada dependendo da contabilização dos votos de Dallagnol. Pesquisa Real Time Big Data realizada entre 11 e 15 de setembro apontou Dallagnol na liderança, com Gleisi em empate técnico dentro da margem de erro, atrás de três candidatos:
Deltan Dallagnol (Novo) – 19%;
Alexandre Curi (Republicanos) – 18%;
Filipe Barros (PL) – 18%;
Gleisi Hoffmann (PT) – 16%.
Pesquisa AtlasIntel e possíveis consequências eleitorais
Outra pesquisa, da AtlasIntel, divulgada no mesmo dia, apresenta Deltan Dallagnol com 27% dos votos válidos, seguido por Filipe Barros (PL) com 23,6%, e Gleisi Hoffmann com 19%, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Caso Dallagnol esteja entre os dois mais votados e seu mandato seja posteriormente anulado, a legislação prevê a necessidade de uma eleição suplementar.
A petição foi assinada pelos advogados Bruno Soares Figueiredo, Luiz Eduardo Peccinin, Juliana Bertholdi e Dylliardi Alessi. Peccinin tem histórico de atuação para o PT no Paraná, tendo defendido o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) e representado a Federação Brasil da Esperança em ação contra o senador Sergio Moro (União Brasil-PR).
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Fundamentos jurídicos e tramitação do pedido
Os advogados pedem a extensão dos efeitos de uma decisão anterior do ministro Gilmar Mendes. Eles citam que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a inelegibilidade de Deltan por oito anos a partir de 3 de novembro de 2021. No entanto, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) autorizou o registro da candidatura por 4 votos a 3, decisão que está sendo contestada no TSE.
Em setembro, o TSE suspendeu atos de campanha de Deltan enquanto analisa o caso. Na sexta-feira (2.out), a Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) manifestou parecer favorável à manutenção do registro. Agora, os advogados solicitam que Gilmar Mendes determine, antes do término da votação em 4 de outubro, que a candidatura de Deltan conste como indeferida com recurso no sistema, que seus votos sejam computados como nulos ou anulados sub judice, e que ele não possa ser proclamado eleito nem diplomado até o julgamento final do TSE.
Impactos administrativos e pedidos adicionais
A anulação dos votos de Deltan implica que eles não serão considerados para a definição das duas vagas ao Senado pelo Paraná. Os autores da petição justificam o pedido urgente para evitar a convocação de uma nova eleição caso Deltan seja eleito e, posteriormente, tenha seu registro rejeitado.
Além disso, há um pedido subsidiário para que, caso Gilmar Mendes entenda que a reclamação atual não seja o meio adequado para análise, o pedido seja convertido em nova reclamação e redistribuído ao próprio ministro por prevenção.
Posicionamento de Deltan Dallagnol e reação ao encaminhamento da petição
Deltan Dallagnol divulgou nota classificando o pedido como uma tentativa do PT de interferir no resultado eleitoral. Segundo ele, o partido reconhece a derrota nas urnas e busca uma manobra judicial para obter decisão favorável de Gilmar Mendes. O candidato ressaltou que o pedido tenta reverter no STF o que o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, negou em 1º de outubro, ao rejeitar a anulação cautelar dos votos atribuídos a ele.
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Fonte: soudebh.com.br
Dallagnol destacou que seu registro foi deferido pelo TRE-PR e que a Procuradoria Geral Eleitoral manifestou-se favorável à sua candidatura. Também criticou o encaminhamento direto da petição ao gabinete de Gilmar Mendes, relacionando o episódio à recente determinação do presidente do STF, Edson Fachin, que exige a análise prévia pela Presidência do tribunal de petições apresentadas por terceiros em processos em andamento.
Nova orientação do STF e desdobramentos do caso
Edson Fachin determinou na sexta-feira (2.out) que petições apresentadas por terceiros em processos em andamento devem ser analisadas previamente pela Presidência do STF, para impedir que advogados escolham ministros específicos para apresentar pedidos. Contudo, menos de 24 horas depois, a petição sobre Deltan foi encaminhada diretamente ao relator, ministro Gilmar Mendes.
A assessoria do STF esclareceu que a resolução do presidente tem efeitos prospectivos e não alcança documentos já distribuídos aos gabinetes. Ajustes no sistema de distribuição ainda estão em andamento, o que explica o encaminhamento da petição diretamente ao ministro Gilmar.
O processo ganha relevância na disputa eleitoral do Paraná e pode influenciar o resultado final da eleição para o Senado.

