Contexto da disputa e o papel dos votos da terceira via
O segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, coloca Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) frente a frente em uma das disputas mais apertadas desde a redemocratização, em 1989. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%, reforçando a competitividade da corrida eleitoral.
Além dos dois candidatos, a terceira via reuniu nomes como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que juntos somaram cerca de 7,31% dos votos válidos. Outros concorrentes, como Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP) e Hertz Dias (PSTU), completaram o percentual restante, totalizando 7,79%, o menor índice para esse grupo desde 2006.
Posicionamentos após o primeiro turno e articulações políticas
Após o anúncio dos resultados, os candidatos da terceira via adotaram posturas distintas. Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado decidiram não declarar apoio formal a nenhum dos finalistas. Renan Santos, em vídeo no YouTube, ressaltou que não orientaria seus eleitores a votar em Lula ou Flávio Bolsonaro, nem a anular o voto, destacando que “essa eleição é do Flávio Bolsonaro”.
Por sua vez, Romeu Zema manifestou apoio a Flávio Bolsonaro por meio das redes sociais, justificando sua posição como um contraponto ao PT. Em Goiânia, Ronaldo Caiado recebeu Flávio Bolsonaro no espaço que funcionou como comitê central da campanha do MDB e aliados, ao lado do governador Daniel Vilela (MDB). Uma declaração conjunta entre Caiado e Flávio é aguardada após o encontro.
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Impactos institucionais e a tendência na migração de votos
A cientista política Cila Schulman, CEO do grupo Ideia, avalia que a transferência de votos neste segundo turno tende a favorecer Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o eleitorado de Lula está mais restrito, atuando sozinho no campo da esquerda, sem condições de captar votos da terceira via representada por Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado.
Schulman aponta que o eleitorado desses candidatos não aprova o governo Lula, o que torna a migração de votos mais favorável à oposição. Essa dinâmica pode ampliar a base eleitoral de Flávio Bolsonaro, impactando diretamente a configuração da disputa.
Pesquisas recentes e a perspectiva do segundo turno
Levantamentos como a pesquisa Quaest, divulgada em 3 de outubro, indicam que Flávio Bolsonaro deve receber a maior parte das intenções de voto dos eleitores da terceira via. A pesquisa mostrou que 34% dos eleitores de Cury optariam por Flávio, contra 23% que prefeririam Lula.
Entre os eleitores de Renan Santos, 60% devem votar em Flávio, enquanto 11% escolheriam Lula. No caso dos eleitores de Ronaldo Caiado, 43% estão inclinados a apoiar Flávio e 19%, Lula. Um percentual considerável desses eleitores, variando de 27% a 41%, pode votar em branco, anular o voto ou não comparecer às urnas no segundo turno. Os indecisos somam 2%.
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Comparativo com o comportamento eleitoral de 2022
Na eleição presidencial de 2022, a transferência dos votos da terceira via foi mais favorável ao adversário de Lula, Jair Bolsonaro (PL), mesmo diante de apoios significativos. Naquela ocasião, cerca de 10 milhões de eleitores haviam votado em candidatos que não eram Lula nem Bolsonaro no primeiro turno. No segundo turno, aproximadamente 7 milhões migraram para Bolsonaro e 3 milhões para Lula.
Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) representaram a terceira via em 2022, somando 8,5 milhões de votos. Tebet declarou apoio a Lula após o primeiro turno, enquanto Ciro manteve reservas, seguindo a orientação do PDT, que fechou com o PT. Apesar das pesquisas indicarem Lula como principal beneficiário desses votos, o desempenho nas urnas revelou ampliação maior da base de Bolsonaro.
Preparação e debates para o segundo turno
A campanha do segundo turno teve início em 5 de outubro e vai até a véspera da votação, em 25 de outubro. Esse período contará com os primeiros debates entre Lula e Flávio Bolsonaro, já que nenhum dos dois participou de debates antes do primeiro turno.
Os encontros estão agendados para 11 de outubro, promovido pelo Grupo Bandeirantes; 18 de outubro, na TV Record; e 23 de outubro, na Rede Globo. Durante essa fase, ambos os candidatos terão tempo igual para veiculação de suas campanhas no rádio e na televisão, o que pode influenciar a decisão dos eleitores da terceira via e indecisos.

