Cultivando Memórias e Tradições em Quilombos da Chapada Diamantina
brincadeiras tradicionais são muito mais que simples passatempos; elas carregam histórias, costumes e modos de vida que atravessam gerações em diversas comunidades. O projeto Ciranda Cultural, que realiza sua segunda edição em 2026, mergulha nesse universo ao promover encontros em três comunidades quilombolas da Chapada Diamantina: Agreste e Mocambo da Cachoeira, em Seabra, e Esconscio, em Iraquara.
Com início marcado para o dia 7 de janeiro em Agreste, a iniciativa organiza rodas de diálogo, contação de histórias, atividades artísticas e confecção de artesanatos. Uma das novidades desta edição é a criação de uma cartilha ilustrada que reúne as memórias compartilhadas durante os encontros, fortalecendo o vínculo das comunidades com suas tradições.
Uma Metodologia Participativa e Respeitosa
Idealizado por Luanna Lima e Fábia Medeiros, com a colaboração da articuladora local Eliana Belo, o projeto traz o brincar como ferramenta para valorizar a cultura negra e quilombola. A primeira edição, realizada em Palmeiras e Lençóis, envolveu cerca de 200 participantes. Agora, a proposta expande para outros territórios, com atividades previstas até fevereiro de 2027, quando será realizada a exposição fotográfica e de artesanatos nas escolas estaduais das cidades envolvidas.
Luanna destaca que os encontros são planejados em diálogo com as lideranças locais, respeitando as características específicas de cada comunidade. “As cirandas seguem uma metodologia vivencial e participativa, pautada na cultura do brincar e no psicodrama, mas cada encontro tem sua singularidade, refletindo o grupo e o lugar em que acontece”, ressalta.
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Sabores e Saberes Locais em Harmonia
Além das atividades culturais, o projeto valoriza os saberes e sabores da região. As comunidades são convidadas a preparar os lanches coletivos para os encontros, com apoio financeiro para a produção. Essa prática reforça o protagonismo local e a integração entre os participantes, fortalecendo o sentido de pertencimento.
Preservação das Memórias e Identidades Culturais
O registro das experiências vividas durante os encontros é parte essencial do Ciranda Cultural. Por meio de fotografias, vídeos e relatos das participantes sobre as brincadeiras da infância, a equipe compila um rico repertório que será disponibilizado em uma cartilha ilustrada. Este material será distribuído nas comunidades, em escolas, bibliotecas e centros educacionais, além de estar acessível gratuitamente nas redes sociais do projeto.
Para Luanna, o registro contribui para manter vivas as memórias coletivas e aproximar as novas gerações das tradições locais. “Esse material funciona como um meio importante para fortalecer as identidades culturais e permitir que crianças e jovens conheçam brincadeiras que carregam valores, histórias e símbolos próprios de cada comunidade”, explica.
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Reflexões Sobre a Infância e o Brincar Livre
O projeto também abre espaço para discutir as mudanças nas experiências infantis, especialmente diante da crescente presença da tecnologia no dia a dia. Manter vivas as brincadeiras tradicionais é, segundo Luanna, uma maneira de defender o brincar espontâneo, livre e criativo, essenciais para o desenvolvimento humano.
A importância dessa perspectiva é reforçada pela trajetória de Fábia Medeiros, artista e educadora que atua desde 1995. Ela destaca que a experiência com crianças reafirma o papel fundamental do brincar na primeira infância. “Meu tempo como educadora me mostrou o quanto o brincar é essencial para o desenvolvimento integral do ser humano”, afirma.
Um Projeto Sustentado pela Política Nacional Aldir Blanc
O Ciranda Cultural acontece com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Governo do Estado da Bahia e da Secretaria de Cultura, sob a coordenação do Ministério da Cultura e do Governo Federal. A iniciativa representa um esforço concreto para fortalecer a cultura quilombola e promover a circulação dessas tradições junto às novas gerações, garantindo seu lugar na história e na vida cotidiana dessas comunidades.

